Desemprego na Grande SP quase triplicou na década de 90

Painel montado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostra que o número de desempregados na Grande São Paulo quase triplicou ao longo da década de 90, passando de 614 mil pessoas em 1989 para 1,715 milhão, em 1999. A taxa de desemprego pulou de 8,7% para 19,3% no período e o salário médio mensal (incluindo cargos de direção e planejamento) caiu 18,8%, de R$ 1.020 para R$ 828."A década de 90 registrou uma deterioração perigosa e assustadora das condições de trabalho", disse Suzanna Sochachewski, coordenadora do trabalho, que originou o livro "A situação do trabalho no Brasil", lançado este mês. Ela explica que 90% das pesquisas usadas na compilação são do próprio Dieese. O restante dos dados é do IBGE, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento.A piora do quadro, salienta ela, deve-se a fatores internos mas, principalmente, ao cenário global. "O problema é que o Brasil já tinha condições muito ruins e foi cortando na própria carne", disse. Como resultado, o País chegou ao fim dos anos 90 com renda per capita inferior a de países comparativamente menos desenvolvidos. Enquanto no Brasil a renda anual per capita em 99 foi de US$ 4.350, no Uruguai a cifra alcançou US$ 6.220 e, na Argentina pré-crise, US$ 7.550. O livro não traz números inéditos, mas faz tabulações e cruzamentos novos das pesquisas, com o objetivo de mostrar o que aconteceu aos trabalhadores num período de mudanças econômicas e trabalhistas. Confirma, por exemplo, que as mulheres são mais expostas à informalidade, tratado no estudo como "emprego vulnerável", e que, mesmo no mercado formal, chamado de "emprego protegido" continua em piores condições que os homens.Aborda também a discriminação ainda existente contra os trabalhadores negros e a ocupação irregular de crianças e adolescentes. "No Brasil, de 3 milhões a 4 milhões de crianças, algumas vezes antes dos cinco anos de idade, e adolescentes passam uma boa parte da infância e os primeiros anos da adolescência presos a atividades que, mesmo quando não têm caráter penoso, perigoso ou insalubre, deixam seqüelas para o resto da vida", diz um trecho do capítulo dedicado ao trabalho infantil.

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