Desemprego na Grande SP sobe para 20%, aponta Dieese

O desemprego na Grande São Paulo subiu em agosto para 20% da População Economicamente Ativa, atingindo 1,96 milhão na Grande São Paulo. Em julho, a taxa ficou em 19,7% da PEA e em agosto de 2002, era de 18,3% da PEA. Os dados foram divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Economicos (Dieese) em parceria com a Fundação Seade. A Pesquisa de Emprego e Desemprego identificou ainda um crescimento de 35 mil pessoas no contigente de desempregados, além de um ingresso de 27 mil pessoas na força de trabalho e a eliminação de 8 mil ocupações. O total de empregados na região foi de 7,87 milhões de pessoas, estável em relação a julho, quando havia 7,88 milhões. O rendimento médio dos trabalhadores recebidos em agosto sobre o trabalho exercido em julho apresentou queda, após ter registrado crescimento nos três meses anteriores e consecutivos. A queda dos rendimentos dos ocupados foi de 1,6%, enquanto a dos assalariados foi de 1%. Com isso, o rendimento médio dos ocupados na Grande São Paulo passou a equivaler a R$ 898,00 enquanto que o dos assalariados posicionou-se em R$ 967,00. Em relação a julho de 2002, houve decréscimo de 6,9% e de 5,2%, respectivamente, desses rendimentos.Foram eliminados 72 mil postosOs técnicos da Seade e o do Dieese chamaram hoje a atenção para o comportamento do emprego na indústria na Grande São Paulo no mês de agosto. Foram eliminados na Grande São Paulo 72 mil postos de trabalho na comparação com julho, atingindo assalariados com e sem carteira de trabalho assinada e também autônomos. Em relação a agosto do ano passado houve um declínio de 8,5% dos empregos na indústria, com o contingente diminuindo de 1,58 milhão de trabalhadores para 1,44 milhão esse ano. A queda mensal de 4,7% no segmento foi a segunda maior da série histórica apurada pelas instituições, ficando atrás apenas de 1995, quando o declínio foi de 5,2%. "Temos hoje o mesmo contingente de ocupados na indústria em 1999", comentou a gerente de análise da Fundação Seade, Paula Montagner.Chamou a atenção também dos especialistas o fato de o emprego industrial responder apenas por 18,4% do total de ocupação na Grande São Paulo, o menor índice já apurado pelas duas instituições desde o início da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), em 1985. "Nunca tivemos uma participação tão baixa do emprego industrial. Isso mostra um pouco como é grave a crise nesse setor", disse o diretor-técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. "O desempenho na indústria surpreende mais ainda porque os meses de agosto e setembro deveriam ser os melhores para a indústria no ano, com a colocação de encomendas para as festas de fim de ano", complementou.Paula Montagner lembrou que simultaneamente à eliminação de postos de trabalho, houve um aumento da jornada média semanal de trabalho, que para os assalariados subiu de 43 para 45 horas semanais na comparação entre julho e agosto, ocorrendo em todos os setores analisados (indústria, comércio e serviços). "Isso pode ser um indício de que a indústria reduziu postos, mas não diminuiu a produção. Foi identificado um aumento das horas extras", disse. JurosSégio Mendonça, do Dieese, reiterou que o setor industrial é o mais sensível à política de juros do governo e, apesar das quedas promovidas pelo Banco Central na Selic, os juros ainda elevados comprometem o setor. "Com o futuro nebuloso, as pessoas não adquirem produtos de maior valor agregado, como automóveis e linha branca. O maior problema desse consumo não é os juros, mas saber se as parcelas da aquisição cabem no orçamento e se o trabalhador acredita se vai se manter empregado no futuro para honrar as parcelas", explicou. Por esse motivo, os técnicos das duas instituições estimam que as ações do governo como reduzir juros, reduzir o depósito compulsório e diminuir o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) dos automóveis ainda não repercutiram no emprego. Outro dado de destaque e que reforça essa avaliação é o de que no ABC paulista, região que concentra o principal parque automotivo do País, a taxa de desemprego aumentou de 19,9% da PEA, em julho, para 22% em agosto.

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