Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Desemprego na região metropolitana de São Paulo sobe para 16,8% em abril

Nível de desocupação é o mais alto para o mês desde 2006, quando atingiu 16,9%; desemprego entre os jovens já alcança 36%

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2016 | 12h10

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo avançou de 15,9% em março para 16,8% em abril, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese).  No mesmo período do ano passado, a taxa verificada era de 14,2%. O indicador é o maior para o mês em dez anos – em abril de 2006, essa fatia era de 16,9%.

Em abril deste ano, o contingente de desempregados foi estimado em 1,868 milhão de pessoas – 118 mil a mais do que em março. O crescimento, porém, foi resultado da expansão da População Economicamente Ativa, uma vez que o nível de ocupação recuou pouco. No mês, 113 mil pessoas entraram no mercado de trabalho, um aumento de 1%; já o nível de ocupação recuou 0,1%, com o fechamento de 5 mil postos de trabalho.

No recorte por setores, a baixa no nível de ocupação entre março e abril foi resultado da eliminação de 28 mil postos na Construção (-4,3%) e 19 mil no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (-1,2%). Já a Indústria de Transformação, que vinha acumulando cortes, gerou 18 mil postos de trabalho, e os Serviços, 25 mil. 

“Foi uma grata surpresa o fato de o nível de desocupação, que estava em queda brusca no primeiro trimestre, ter ficado estável”, diz Loloian. Ele observa que, nos últimos 12 meses, a eliminação de vagas foi responsável por 81% da composição da taxa de desemprego. “Não dá para dizer que, com essa estabilidade, já chegamos no fundo do posso e agora só podemos crescer, mas já mostra algum tipo de reação”, diz.

Segundo a pesquisa, entre fevereiro e março, tanto o rendimento médio real mensal dos ocupados (que inclui setor privado, autônomos e empregados domésticos) como dos assalariados caiu 2%, passando para, respectivamente, R$ 1.952 e R$ 2.007. Já comparação de março deste ano com o mesmo mês no ano passado, os rendimentos médios reais dos ocupados recuaram 5,7%, e dos assalariados, 4,1%.

Jovens. Com a crise econômica e a queda na renda, o mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais hostil aos mais jovens.  Segundo a pesquisa, em abril, 36% dos jovens de 16 a 24 anos estavam desempregados. No mesmo mês do ano passado, essa taxa era de 27%. 

“Esse patamar só foi observado em 2004: em abril daquele ano, a taxa chegou a 36,3%”, afirma Alexandre Loloian, economista da Fundação Seade. Ele explica, porém, que nesse período observou-se o pico da taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo. “A desocupação geral estava na casa dos 20%. Hoje, estamos em 16%, então a taxa de desemprego do jovem é muito mais representativa”, afirma.

Nos últimos 12 meses, diz Loloian, foram fechados cerca de 200 mil postos para trabalhadores com essa faixa etária. Ele afirma que, além das demissões, a taxa cresceu de forma significativa pelo ingresso expressivo de novos jovens no mercado de trabalho. “Os setores que mais demitiram foram indústria e construção, postos normalmente ocupados por chefes de família. Para manter o equilíbrio do orçamento doméstico, muitos jovens foram obrigados a entrar no mercado de trabalho, aumentando a taxa de participação desse segmento”, diz o economista. 

 

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