Desemprego no Brasil no 1 ºsemestre é o menor desde 2003

Emprego com carteira sobe para 58% nas seis principais regiões metropolitanas e também bate recorde

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 09h12

A taxa média de desemprego no primeiro semestre de 2008 ficou em 8,3%, a menor apurada na nova série histórica da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002. Porém, não há dados fechados do primeiro semestre para 2002 porque houve problemas nos resultados da pesquisa no primeiro bimestre daquele ano.  Nos anos da nova série, os resultados para o primeiro semestre foram os seguintes: 2003 (12,2%); 2004 (12,3%); 2005 (10,3%); 2006 (10,1%) e 2007 (9,9%). As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 24, pelo IBGE.  O índice de formalização do mercado de trabalho também foi recorde nas seis principais regiões metropolitanas do País no primeiro semestre de 2008. A participação dos trabalhadores formais (com carteira assinada e funcionários públicos) no total dos ocupados nas seis regiões subiu de 56% no primeiro semestre de 2007 para 58% em igual período de 2008.      Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, o nível de ocupação (porcentual de ocupados em relação à população de 10 anos ou mais de idade) de 52% no primeiro semestre deste ano também é o maior desde o início da nova série histórica da pesquisa, em 2002. No mês de junho, a taxa de desocupação no país atingiu 7,8%, ante 7,9% em maio. A taxa ficou dentro do intervalo das expectativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que variavam de 7,50% a 8%, com mediana em 7,70%.  Para Azeredo, os resultados do primeiro semestre confirmam que a taxa de desemprego total deste ano deverá ser menor do que a registrada no ano passado (9,3%). "Isso mostra que a procura por uma vaga tem sido atendida com mais freqüência em 2008, não temos bola de cristal, mas a situação tem que piorar muito para que este ano feche com uma taxa menor que no ano passado. Historicamente, a tendência é que o segundo semestre apresente taxas menores", disse.  O número de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,7 milhões em junho, com aumento de 1,1% ante maio e de 4,5% na comparação com junho do ano passado. Foram geradas 932 mil vagas em um ano nas seis regiões. Já o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) chegou a 1,84 milhão, com aumento de 0,2% ante maio, mas apresentando forte recuo (-17%) na comparação com junho de 2007. A pesquisa do instituto revelou também que, em junho, houve aumento no número de empregados com carteira assinada (0,5% ante maio e 9,5% ante junho de 2007) e alta também nos ocupados sem carteira (2,7% ante o mês anterior e 0,1% ante igual mês do ano passado).  Rendimento O rendimento médio real dos trabalhadores ficou em R$ 1.216,50 em junho, com queda de 0,3% ante maio e aumento de 1,7% ante junho do ano passado. O IBGE divulgou também que a massa de rendimento real efetivo da população ocupada nas seis regiões pesquisadas chegou a R$ 26,5 bilhões em maio - esse dado sempre se refere ao mês anterior ao de referência da pesquisa mensal de emprego -, com aumento de 0,6% ante abril e alta de 7,9% na comparação com maio de 2007.  Os resultados do rendimento real dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País confirmam uma desaceleração no crescimento da renda, observou Azeredo. Segundo ele, o aumento da inflação é um dos principais fatores, mas não o único, a explicar essa perda de ritmo na expansão da renda. Ele cita também a possibilidade de que os trabalhadores não estejam sendo bem-sucedidos nas negociações de reajustes. Além disso, de acordo com Azeredo, a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho costuma puxar a renda para baixo, já que os salários iniciais são inferiores aos pagos para quem já trabalha há mais tempo. São Paulo A Região Metropolitana de São Paulo, onde estão cerca de 40% dos ocupados nas seis regiões metropolitanas investigadas na pesquisa mensal de emprego do IBGE, registrou taxa de desemprego de 8,2% em junho, ante 8,6% em maio.  O rendimento médio real dos trabalhadores no mercado de trabalho paulista chegou a R$ 1.336,90 em junho, com queda de 0,7% ante maio e aumento de 1,0% na comparação com junho de 2007.

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