Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Desemprego fica estável em 7,6%, a maior taxa para setembro desde 2009

No período de um ano, a taxa de desocupação aumentou 2,7 pontos porcentuais, um recorde, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores encolheu 4,3%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 09h06

Atualizado às 10h

RIO - A taxa de desemprego apurada nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil ficou em 7,6% em setembro, estável ante agosto, segundo dados sem ajuste sazonal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior taxa para o mês desde 2009, quando ficou em 7,7%. Considerando todos os meses, o resultado é idêntico ao observado em agosto deste ano (7,6%).

Em setembro do ano passado, a taxa de desocupação estava em 4,9%. O avanço de 2,7 pontos porcentuais em base anual é o mais intenso já registrado na série da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que tem dados desde março de 2003 neste confronto.

O resultado do mês passado, no entanto, ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, serviço da Agência Estado, que esperavam taxa entre 7,40% e 8,10%, e abaixo da mediana de 7,80%.

O rendimento médio real dos trabalhadores, por sua vez, registrou queda de 0,8% em setembro ante agosto. Já na comparação com o mesmo mês de 2014, houve recuo de 4,3%, a oitava retração nesse confronto e a maior para o mês desde 2003. Nas seis principais regiões metropolitanas do País, as pessoas ocupadas recebem em média R$ 2.179,80.

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A procura (por emprego) é causada provavelmente por restrições de renda, que está diminuindo em termos reais e chega a setembro com a oitava queda consecutiva em termos anuais. Além disso, as pessoas estão perdendo trabalho - Adriana Beringuy, técnica do IBGE
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Pressão. A alta na taxa se dá principalmente pelo aumento na procura por trabalho, afirmou Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. Segundo a pesquisadora, a retração na renda média dos brasileiros têm elevado a necessidade de quem foi dispensado ou não trabalhava anteriormente.

"Você começa a ter uma pressão no mercado de trabalho que não estava ocorrendo em anos anteriores. E isso vem mais pelo lado da desocupação (aumento da procura), não que não esteja havendo retração da população ocupada", afirmou Adriana.

Segundo a técnica, a intensidade dessa procura por emprego justifica o fato de as taxas de desemprego atuais remeterem a resultados de seis anos atrás. Em setembro, a taxa de desocupação (7,6%) foi a maior para o mês desde 2009, diante de um avanço de 56,6% na população desocupada ante setembro de 2014  o crescimento mais intenso da série.

"A procura é causada provavelmente por restrições de renda, que está diminuindo em termos reais e chega a setembro com a oitava queda consecutiva em termos anuais. Além disso, as pessoas estão perdendo trabalho. A necessidade daqueles que perdem e daqueles que não estavam procurando aumenta, o que leva a esse porcentual tão elevado", explicou Adriana.

Filas por emprego. O número de pessoas que estão atrás de emprego no País continuou a crescer em setembro, seja porque foram demitidas ou porque passaram a procurar uma vaga nos últimos 12 meses. Em setembro, a população desocupada cresceu 56,6% ante igual mês de 2014, a maior também desde o início da série da PME, em 2003.

Isso significa que 670 mil pessoas engrossaram as filas à procura de trabalho nessas regiões no último ano - praticamente um terço dos 1,853 milhão de pessoas que estão desempregadas atualmente nas seis áreas investigadas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Parte dessas pessoas seguiu tal caminho porque foi demitida no período. Segundo o IBGE, a população ocupada encolheu 1,8% em setembro ante igual mês do ano passado, repetindo a queda recorde já verificada em agosto ante agosto de 2014. Ou seja, 420 mil pessoas perderam o emprego nos últimos 12 meses.

Com essa combinação, a população economicamente ativa avançou 1,0% em setembro contra setembro de 2014, resultado de 250 mil pessoas que ingressaram ou retornaram ao mercado de trabalho - neste caso, abandonando a inatividade.


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