Desemprego no País é o mais baixo desde 2002

Taxa caiu para 8,2% em novembro e deve fechar o ano em um dígito

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

A taxa de desemprego anual de 2007 será a menor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, pela primeira vez, ficará em um dígito, informou o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Ontem, o instituto divulgou o índice de 8,2% nas seis principais regiões metropolitanas do País em novembro, o mais baixo da série, iniciada em março de 2002. Em outubro, havia sido de 8,7%. No ano passado, o índice médio anual de desemprego foi de 10%. No acumulado de janeiro a novembro de 2007, ficou em 9,5%. "Está praticamente garantido que fecharemos 2007 com taxa de um dígito, batendo um recorde", disse Azeredo. Para ele, o recuo reflete o "cenário econômico favorável" do ano.O mercado de trabalho mostrou também aumento do rendimento, das contratações com carteira assinada, da criação de vagas e da redução do número de desempregados. Para Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, os dados "surpreenderam positivamente". Os analistas previam uma taxa de 8,5%. Ela avalia que a melhora do mercado de trabalho ante o mês anterior "reflete o aquecimento da atividade econômica" e os dados apontam para a continuidade da demanda interna aquecida.O número de ocupados chegou a 21,44 milhões e aumentou 0,7% de outubro para novembro, o que significa 148 mil novas vagas de um mês para o outro. Em relação a novembro de 2006, foram 717 mil vagas. Outro dado positivo foi a queda significativa no grupo dos desocupados (sem trabalho e procurando emprego), de 5% ante outubro e de 12,5% na comparação com igual mês de 2006.O número de desocupados, que somou 1,9 milhão em novembro, foi o menor para um mês de novembro da série. Esse número só havia ficado abaixo de 2 milhões nos meses de dezembro de 2005 e 2006.RENDA E FORMALIDADEO número de trabalhadores com carteira assinada aumentou 1,5% em novembro ante outubro. Das 148 mil vagas abertas de um mês para o outro, 137 mil foram com registro. Na comparação com novembro de 2006, o emprego formal cresceu 8,2% (709 mil vagas), a maior variação da série. "Como contratar com carteira tem um custo maior, o aumento só ocorre em momentos de bom desempenho da economia", disse Azeredo.O porcentual de trabalhadores com carteira no total de ocupados nas seis regiões aumentou muito de novembro de 2002, quando era de 40,5%, para novembro deste ano, quando chegou a 43,4%. Segundo o gerente, há "um boom" no emprego com carteira em 2007. Mas ele ressalta que os empregos formais ainda são menos de 50% do total.No que diz respeito à renda, os aumentos do rendimento médio real da população ocupada apurados em novembro, de 1,3% ante outubro e de 2,4% na comparação com novembro de 2006, "mostram uma recuperação forte do poder de compra dos trabalhadores", segundo observou Azeredo.Mas o rendimento de R$ 1.143,60 apurado no mês ainda é inferior ao de novembro de 2002 (R$ 1.167,96). Na média de janeiro a novembro de 2007, o rendimento médio real teve aumento de 3,3% ante igual período do ano passado. A expansão é menor que a apurada em igual período de 2006, na comparação de janeiro com novembro de 2005, quando a renda havia aumentado 4%.

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