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Desemprego no País medido pelo Dieese é o menor desde 98

Segundo dados, taxa de desempregados em seis regiões metropolitanas caiu para 12,7% em dezembro de 2008

ANNE WARTH, Agencia Estado

28 de janeiro de 2009 | 10h06

A taxa de desemprego no conjunto de seis regiões metropolitanas pesquisadas caiu para 12,7% em dezembro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 28, pela Fundação Seade e Dieese. A taxa é a menor de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 1998. O contingente de desempregados nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal foi estimado em 2,545 milhões de pessoas, 78 mil a menos que em novembro.  Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    O rendimento médio real dos ocupados caiu 1,5% em novembro, ante outubro - último dado disponível - e passou a equivaler a R$ 1.166,00. O valor indica aumento de 1,6% ante novembro de 2007. A massa de rendimento dos ocupados caiu 1% em novembro, ante outubro e cresceu 6,1% ante novembro de 2007.   No ano de 2008, a taxa média de desemprego nessas seis regiões caiu para 14,1%, também a menor desde o início da série histórica. O contingente de desempregados foi estimado em 2,812 milhões de pessoas, na média dos 12 meses, 190 mil a menos que no ano de 2007. O rendimento médio real dos ocupados cresceu 2,8% no ano e passou a equivaler a R$ 1.171,00. A massa de rendimento real dos ocupados aumentou 7,7%, na média do ano.   "Foi o melhor ano dos últimos anos em termos de performance de mercado de trabalho. A ocupação foi gerada em uma intensidade bastante forte e absorveu o incremento, também bastante forte, de pessoas que chegaram ao mercado de trabalho. E o aumento dos postos de trabalho foi predominantemente de empregos formais, com carteira assinada, que dão garantia e estabilidade aos trabalhadores. Isso se reflete diretamente no consumo", disse o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.   Um dos principais destaques do ano de 2008, segundo Lúcio, foi o crescimento das ocupações na área da construção civil, de 10,3% na média das regiões na comparação com 2007. Quando consideradas as áreas da indústria, comércio, construção civil, serviços e outras ocupações, o nível de emprego aumentou em média 4,9% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, o melhor resultado anual desde o início da série histórica, em 1998.   São Paulo   Em São Paulo, a taxa de desemprego caiu para 11,8% em dezembro de 2008, a menor desde fevereiro de 1992. O desemprego estava em 12,3% em novembro passado e 13,5% em dezembro de 2007. O total de desempregados na região foi estimado em 1,42 milhão de pessoas em dezembro passado, 53 mil a menos em relação ao mês anterior.   O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados caiu 2,5% em novembro, ante outubro - último dado disponível - e passou para R$ 1.192,00. O rendimento médio caiu 2,8% ante novembro de 2007. A massa de rendimento dos ocupados diminuiu 1,9% em novembro, ante outubro, e 3% em relação a novembro de 2007.   No ano de 2008, a taxa média de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 13,4%. Em 2007, o desemprego estava em 14,8%. O contingente de desempregados foi estimado em 1,403 milhão de pessoas, na média dos 12 meses do ano, e 102 mil deixaram o desemprego, na média dos 12 meses do ano.   O rendimento médio real dos ocupados variou 0,2% em 2008, em relação a 2007, indicando um comportamento relativamente estável e passou a equivaler a R$ 1.224,00. A massa de rendimento dos ocupados subiu 4,6% na média do ano, em relação à média de 2007.   2009   Para o início de 2009, a expectativa dos pesquisadores é de aumento no desemprego. "O desemprego no primeiro trimestre do ano tem um comportamento sazonal de aumento. Mesmo com o crescimento econômico, a taxa de desemprego nos três primeiros meses do ano cresce, e provavelmente em 2009 observaremos um crescimento um pouco maior do desemprego em função dos impactos da crise financeira internacional no país", explicou Lúcio. "Setores como comércio e serviços vão começar a ser afetados, da mesma forma como a indústria já sentiu os primeiros efeitos da crise", acrescentou.   Na avaliação dos pesquisadores, os impactos tendem a ser diferenciados nas diversas regiões do País. Belo Horizonte, por exemplo, que encerrou o ano com a menor taxa média de desemprego entre as seis regiões pesquisadas, de 9,8 %, com queda de 19,7% na comparação com 2007, quando estava em 12,2%, deve ser uma das mais impactadas, já que a indústria na região se concentra nos setores automotivo e siderúrgico e está fortemente voltada para o mercado externo. Da mesma forma, salvador, cidade de vocação turística, deve ter uma perda de empregos considerável em comércio e serviços após o fim das férias de verão.   Segundo Lúcio, um aumento de até 1 ponto porcentual na taxa de desemprego no início de 2009 pode ser creditada a efeitos sazonais . "Podemos dizer que seria natural um incremento de 1 pp na taxa de desemprego nos primeiros meses do ano. Mesmo com crescimento econômico, o desemprego cresceria. Essa diferença entre o comportamento do desemprego do fim de 2006 para o início de 2007, do fim de 2007 para o início de 2008, e do fim de 2008 para o início de 2009 é que vai refletir o agravamento da crise no emprego", argumentou.   O diretor técnico do Dieese lembrou que o bom desempenho do mercado de trabalho em 2008 está diretamente ligado ao crescimento econômico do País. "A expectativa de um crescimento econômico menor em 2009 trará ao mercado de trabalho também um crescimento menor, se houver", afirmou. Ainda assim, 2009 não necessariamente será um ano de aumento do desemprego. "Nas regiões metropolitanas, uma taxa de crescimento econômico entre 3% e 3,5% já poderia propiciar, no mínimo, uma estabilidade no desemprego", explicou.

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