Desemprego nos EUA cresce no ritmo mais rápido em 20 anos

Taxa em maio atingiu 5,5%; jovens são os mais afetados pela falta de trabalho.

Da BBC Brasil, BBC

06 de junho de 2008 | 13h57

A taxa de desemprego dos Estados Unidos aumentou em maio no ritmo mais rápido em mais de duas décadas, atingindo 5,5% da população economicamente ativa - o maior nível desde outubro de 2004.Segundo dados do governo americano, a taxa aumentou meio ponto percentual entre abril e o mês passado, o quinto mês consecutivo de queda das vagas de trabalho no país.No período, houve uma continuidade da redução de empregos fora das fazendas, com um corte de 49 mil vagas.Em relação a maio de 2007, o número de americanos desempregados subiu de 6,9 milhões, ou 4,5% da população economicamente ativa, para 8,5 milhões.JovensSegundo o analista econômico da BBC Andrew Walker, o aumento do desemprego em maio reflete, em parte, a grande quantidade de jovens que entram no mercado de trabalho e enfrentam a dificuldade inicial de encontrar uma colocação.São os trabalhadores adolescentes os mais afetados pelo desemprego - os dados revelam que 18,7% dos jovens estão procurando trabalho, enquanto 4,9% dos homens adultos e 4,8% das mulheres adultas enfrentam a mesma situação. Os dados do Departamento do Trabalho americano são um sinal das dificuldades econômicas enfrentadas pelas empresas do país nos últimos meses e reforçam a percepção de vários economistas de que os Estados Unidos caminham para uma recessão.Nos últimos meses, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, reduziu a taxa básica de juros com o objetivo de estimular uma retomada do crescimento da economia americana. O país ainda enfrenta os reflexos da crise do mercado de crédito imobiliário para pessoas consideradas com alto risco de inadimplência, que reduziu a oferta de crédito e provocou prejuízos altos em alguns bancos. ConsumoWalker diz que a atual taxa de desemprego não é particularmente alta se comparada com o registrado nas últimas décadas - mas, mesmo assim, o novo dado não ajudou a levantar o ânimo do mercado.Depois da divulgação da taxa de emprego, o dólar voltou a registrar desvalorização, o que, por sua vez, levou a um aumento da cotação do petróleo.Um maior desemprego e um alto preço do petróleo têm o potencial de reduzir o consumo - considerado o motor da economia americana.Em abril, o presidente do Fed, Ben Bernanke, admitiu uma possível recessão nos Estados Unidos."Parece provável que o Produto Interno Bruto (PIB) não vá crescer muito, se crescer, será na primeira metade de 2008 e pode até ter uma leve contração", afirmou Bernanke, em um discurso no Congresso. No dia seguinte, o economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Interrnacional), Simon Johnson, disse que a economia do país havia chegado a um estado de "paralisia virtual". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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