Desemprego nos EUA sobe para 9,4% em maio

Número de vagas cortadas, 345 mil, foi menor que as 530 mil demissões previstas pelos economistas

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

A taxa de desemprego dos Estados Unidos atingiu em maio o maior nível em 26 anos, alcançando 9,4% da população economicamente ativa do país, informou ontem o Departamento de Trabalho americano. Ao subir 0,5 ponto porcentual, o índice superou as expectativas dos analistas que projetavam uma taxa de desemprego de 9,2% no mês. Com o avanço, a expectativa agora é que o desemprego chegue aos 10% antes do que se esperava.No entanto, ao mesmo tempo, o volume total de cortes em maio, de 345 mil postos de trabalho, foi muito inferior à previsão de economistas e consultorias que projetavam o fechamento de cerca de 530 mil vagas no período. Trata-se do menor número desde setembro de 2008, quando a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers agravou a crise financeira. Isso mostra que, apesar de o mercado de trabalho continuar em contração no país, as demissões seguem num ritmo menos agressivo, o que foi interpretado como um certo alento pelo mercado, aumentando as expectativas de que a economia vai se recuperar.Ontem, as bolsas de valores americanas ficaram divididas sobre a interpretação dos dados. "É difícil, para as pessoas, avaliar de forma intuitiva o que significa um indicador ter sido melhor que a expectativa e o outro ter sido pior", disse o analista Art Hogan, da Jefferies & Co. "No entanto, acho que estamos voltando ao ponto em que o mercado reage da forma como deveria", disse. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, avançou 0,15% ontem, o S&P caiu 0,25% e o Nasdaq teve baixa de 0,03%. Desde que a recessão começou no país, em dezembro de 2007, a economia dos Estados Unidos fechou 6 milhões de vagas, com a maior parte das dispensas ocorridas nos últimos seis meses. O corte por sete meses consecutivos equipara-se ao recorde atingido durante a recessão de 1981-1982.Em maio, as perdas persistiram em vários setores, mas foram mais moderadas nos segmentos de construção civil, indústria e serviços. O setor de produção de bens cortou 225 mil vagas em maio. Nesse grupo, as empresas de manufatura reduziram 156 mil vagas, elevando para 1,8 milhão o total de dispensas. Em contrapartida, o setor de construção reduziu em apenas 59 mil o número de empregos no mês passado, o menor corte desde setembro de 2008. O setor de serviço cortou 120 mil empregos em maio, bem abaixo do pico de quase 400 mil. O setor de varejo cortou 17.500 empregos, enquanto o setor de lazer acrescentou 3 mil vagas, uma indicação de que as famílias podem estar aumentando seus gastos em setores não essenciais. Outro sinal positivo para as perspectivas futuras do emprego, os empregos temporários - o qual os economistas consideram um indicador antecedente - caíram apenas 6,5 mil, o menor corte em vários meses. O setor de educação e saúde aumentou em 44 mil o número de empregos. O governo cortou 7 mil vagas em maio.Já o dado de corte de postos de trabalho em abril foi revisado para 504 mil, de uma estimativa original de perda de 539 mil. Em março, foram eliminados 652 mil empregos, abaixo da estimativa original de corte de 699 mil postos de trabalho.

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