Desemprego nos EUA tem a maior taxa em 26 anos

Índice subiu para 9,7% da PEA, com o fechamento de 216 mil vagas

Lucia Mutikani, Reuters, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

As demissões nos Estados Unidos em agosto foram as menores em um ano, mas a taxa de desemprego saltou inesperadamente para o maior patamar em 26 anos, segundo dados divulgados ontem.

O Departamento de Trabalho informou que a taxa de desemprego subiu para 9,7% da População Economicamente Ativa (PEA) em agosto, nível mais alto desde junho de 1983. O avanço sugere que os gastos do consumidor permanecerão fracos o que tende a retarda a recuperação da economia da pior recessão em sete décadas.

Apesar disso, os empregadores norte-americanos fecharam 216 mil postos de trabalho, menor corte desde agosto de 2008, mas as demissões em junho e julho foram 49 mil maiores do que o inicialmente estimado, segundo o Departamento.

"A contínua moderação no ritmo de demissões oferece algum ânimo sobre o estado do mercado de trabalho dos Estados Unidos", disse Millan Mulraine, estrategista da TD Securities, em Toronto.

Analistas esperavam um corte de 225 mil vagas em agosto e previam que a taxa de desemprego subisse para 9,5%, após ter recuado para 9,4% em julho.

A reação do mercado aos dados foi modestamente positiva. Os mercados acionários dos Estados Unidos operavam em alta, enquanto os preços dos títulos da dívida do governo norte-americano caíam em meio a sinais de estável melhora econômica.

"A trajetória está na direção certa", afirmou a conselheira econômica de Obama, Christina Romer, à emissora CNBC.

A alta taxa de desemprego está desgastando a confiança dos consumidores e enfraquecendo a demanda doméstica, indicando uma recuperação anêmica. Os gastos do consumidor respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos.

A força de trabalho aumentou em 73 mil em agosto, apontando o retorno de alguns trabalhadores desempregados que tinham desistido de procurar emprego, respondendo por parte do aumento da taxa de desemprego.

A secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solis, afirmou que a alta na taxa de desemprego era inesperada, mas disse que a queda nas demissões mostrou que o suporte do governo está amortecendo os cortes em geral.

"Eu estou de algum modo surpresa por estarmos vendo um aumento contínuo no número de desemprego, mas sabíamos que isso aconteceria e sabemos que continuará por mais alguns meses", afirmou.

Desde o início da recessão em dezembro de 2007, a economia norte-americana perdeu 6,9 milhões de vagas.

Um índice de inatividade do mercado de trabalho, que mede o número de desempregados e o de pessoas que não estão procurando trabalho, subiu para um recorde de 16,8% em agosto, ante 16,3 % em julho.

MENOS DEMISSÕES

Contudo, o relatório de agosto confirmou que o ritmo de demissões está diminuindo em relação ao início deste ano, quando quase 75% de um milhão de vagas foram fechadas em janeiro.

O setor manufatureiro perdeu 63 mil empregos, com um total de 2 milhões de cortes desde o começo da recessão. O segmento de construção fechou 65 mil postos de trabalho, após corte de 73 mil vagas em julho.

O setor de serviços demitiu 80 mil trabalhadores em agosto, enquanto a indústria cortou 136 mil empregos.

As áreas de educação e serviços de saúde continuaram contratando, registrando abertura de 52 mil vagas em agosto, após alta de 21 mil no mês passado. Os empregos no governo, contudo, recuaram em 18 mil, após declínio de 28 mil um mês antes.

Mas não é só nos Estados Unidos que as taxas de emprego estão em alta. Na terça-feira, a Agência Europeia de Estatísticas (Eurostat), informou que o desemprego na zona do euro, formada pelos 16 países da União Europeia que utilizam a moeda comum, chegou a 9,5% em julho, o nível mais alto dos últimos dez anos.

A Eurostat estima que 225 mil cidadãos europeus economicamente ativos perderam os seus trabalhos em julho, somando um total de 21.794 milhões de desempregados em toda a UE, dos quais 15.090 milhões estavam nos países que usam o euro. Segundo a Eurostat, a Espanha continua sendo o país mais afetado, com 18,5% de desempregados em julho.

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