Desemprego nos EUA tem maior alta em 22 anos e bolsas caem

Alta da taxa para 5,5% no índice reduz as chances de uma elevação dos juros pelo Fed nos próximos meses

Agência Estado e Reuters,

06 de junho de 2008 | 09h38

A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu para 5,5% em maio, segundo dados do Departamento de Trabalho norte-americano. A variação é a maior em 22 anos e sugere que os consumidores norte-americanos, que já enfrentam a crise no mercado de moradia e a disparada dos preços da gasolina, agora sofrerão com a crescente pressão do enfraquecimento no mercado de trabalho. O dado, que incluiu a quinta queda consecutiva no emprego, reduz a aposta de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) eleve o juro ainda neste outono (do hemisfério Norte). Após iniciar um movimento de redução da taxa básica de juros nos EUA desde setembro do ano passado até abril de 2008, passando o juro no país de 5,25% ao ano para 2% ao ano, esperava-se que o Fed fosse manter o nível atual, pelo menos, durante o verão (do hemisfério norte).  Os dados divulgados nesta manhã prejudicaram as bolsas norte-americanas, que abriram em queda. Às 11h40, O Dow Jones caía 1,75%, o Nasdaq 1,39% e o S&P 1,45%. Por aqui, o mercado financeiro também foi afetado. No mesmo horário, a Bolsa de Valores de São Paulo cedia 1,49%, aos 70.146 pontos. Folga As autoridades do Fed contavam com a folga desinflacionária que deveria vir da desaceleração da economia para compensar a alta nos preços de energia, alimentos e matérias-primas (commodities) e do dólar fraco para manter a inflação sob controle.  Porém, as vagas ou folhas de pagamentos (payrolls), que são calculadas por uma pesquisa junto aos estabelecimentos, caíram 49 mil em maio, informou o Departamento de Trabalho dos EUA. O declínio teve bases amplas, incluindo manufatura, construção, varejo e outros serviços.  Além disso, o número de vagas eliminadas em abril e em março foi revisado para queda de 28 mil e 88 mil, respectivamente, mostrando quedas levemente maiores do que as estimadas anteriormente. Com isso, nos quatro primeiros meses do ano, o número de vagas de emprego eliminadas nos EUA soma 275 mil.   "O salto mensal no desemprego reflete os trabalhadores adicionais que tinham perdido seus empregos assim como um aumento das novas pessoas que buscam empregos e outras que voltaram a procurar", disse Philip Jones, vice-comissário do Birô de Estatísticas do Trabalho.

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