Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Desemprego recua para 12,6% no 3º trimestre, mas renda média do trabalhador cai 11% em um ano

Dados do IBGE indicam que há crescimento em ocupações com menores rendimentos; o País ainda tem quase 13,5 milhões de pessoas em busca de trabalho

Daniela Amorim, Vinicius Neder e Guilherme Bianchini , O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2021 | 09h14
Atualizado 30 de novembro de 2021 | 12h59

RIO e SÃO PAULO - A taxa de desemprego recuou de 14,2% no segundo trimestre para 12,6% no terceiro trimestre, mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há um ano, a taxa de desocupação era de 14,9%.

Houve melhora tanto na geração de vagas formais quanto informais, mas ainda há quase 13,5 milhões de desempregados no País. Se considerada toda a mão de obra ainda subutilizada, está faltando trabalho para 30,743 milhões de brasileiros.

"É uma boa notícia que a recuperação foi relativamente rápida e que o impacto da pandemia já diminuiu bastante, mas é importante lembrar que o nível pré-pandemia não era forte. Pelo contrário", ressaltou o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles. "O mercado de trabalho já estava com desemprego alto e nível de ocupação relativamente baixo no início do ano passado", acrescentou.

A queda da taxa de desemprego é uma notícia positiva, mas com sinais preocupantes nos aspectos qualitativos, avaliou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. “É o retrato de um mercado de trabalho ainda precarizado, mais informal e com renda real em queda, por perda do poder de compra”, justificou.

Para Vale, a retomada da ocupação está em linha com a saída da pandemia e a normalização de serviços, principal empregador da atividade. O economista ainda vê espaço para uma melhora adicional puxada pelo setor, com recuo da taxa de desocupação a 11,5% no último trimestre e média de 13,5% em 2021.

“O desemprego está melhorando mais que o imaginado neste ano, mas deve piorar mais do que se espera no ano que vem. A economia estagnada impede uma recuperação mais contundente da taxa de desocupação”, previu Vale. “Temos que acompanhar a alta sazonal do primeiro trimestre, lidando com economia mais enfraquecida, inflação intensa, taxa de juros chegando no pico e as consequências da variante Ômicron.”

Sob pressão da inflação elevada e de um aumento do número de pessoas atuando na informalidade e em vagas com menores rendimentos, a renda média do trabalhador teve queda recorde de 11,1% em um ano, para R$ 2.459 mensais. A massa de salários em circulação na economia ainda está R$ 1,688 bilhão menor do que há um ano.

“Embora a gente tenha mais pessoas trabalhando, a massa de rendimento que vem do trabalho não se expande”, frisou Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O avanço da vacinação da população contra a covid-19 e a melhora nos índices da pandemia no momento têm impulsionado uma recuperação mais intensa das contratações no mercado de trabalho, opinou Adriana. “Desde julho a gente começou a observar essa melhoria mais intensa na ocupação”, lembrou.

Segundo a coordenadora do IBGE, o avanço da imunização da população contra a covid-19 e a melhora na pandemia têm permitido uma normalização do funcionamento das atividades econômicas, que acabam absorvendo mais trabalhadores. Em apenas um trimestre, foram abertas 3,592 milhões de vagas. Em um ano, a população ocupada aumentou em 9,537 milhões de pessoas.

“O cenário hoje do mercado de trabalho é completamente diferente do que havia um ano atrás. Um ano atrás você não tinha vacina, ainda tinha restrições de funcionamento vigorando, muitas atividades ainda não estavam absorvendo trabalhadores”, lembrou Adriana.

O total de pessoas ocupadas já supera o nível pré-pandemia nas atividades de agricultura, indústria, construção, comércio e informação e comunicação, ressaltou a pesquisadora.

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