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Desemprego recorde na Espanha já atinge mais de 6 milhões de pessoas

Taxa de desemprego na quarta maior economia da zona do euro subiu para 27,2% no 1º trimestre, a maior desde 1970

Reuters

25 de abril de 2013 | 08h30

 

MADRI - Mais de seis milhões de espanhóis estavam sem trabalho no primeiro trimestre deste ano, elevando a taxa de desemprego na quarta maior economia da zona do euro para 27,2%, a maior desde que começaram os registros, em 1970.

As enormes somas derramadas no sistema financeiro mundial pelos principais bancos centrais têm aliviado a pressão do mercado de títulos na Espanha, mas os cortes que Madri tem realizado para tentar recuperar a confiança dos investidores deixaram o país em uma profunda recessão.

O desemprego, que atinge 6,2 milhões de pessoas no primeiro trimestre, aumenta a sete trimestres e os últimos números alimentam o debate crescente sobre a possibilidade de frear as medidas de austeridade que têm marcado a resposta da Europa à crise financeira.

O colapso de um boom imobiliário impulsionado pelo crédito barato causou milhões de demissões no setor de construção civil da Espanha desde 2009, enquanto o setor de serviços privados, reponsável por quase metade do Produto Interno Bruto (PIB), seguiu a mesma direção, com os espanhóis apertando os cintos e o investimento despencando.

O mal-estar foi agravado por bilhões de euros em cortes de gastos e aumentos de impostos para reduzir um dos maiores déficits da zona do euro e convencer os mercados que a Espanha pode controlar suas finanças.

Os custos de empréstimos da Espanha e Itália atingiram seu nível mais baixo em mais de dois anos esta semana e funcionários da União Europeia começaram a falar abertamente em aliviar as metas de déficit.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse nesta semana que um novo plano de reforma, que será anunciado na sexta-feira, não incluirá mais medidas de austeridade, em um esforço para acalmar os espanhóis cada vez mais desesperados e sinalizar aos investidores que o país em breve será capaz de crescer.

Os protestos tornaram-se comuns em todo o país e milhares de policiais foram destacados em Madri para lidar com uma marcha ao Parlamento nesta quinta-feira.

Mas poucos acreditam que o plano do governo vai ser ambicioso o suficiente para relançar a economia em crise e criar empregos. O Fundo Monetário Internacional prevê o desemprego espanhol em 26,5% no próximo ano.

 

(Reportagem de Paul Day)

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