Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Desemprego recua em dez Estados, aponta IBGE

País tinha no segundo trimestre 3,3 milhões de pessoas que procuravam emprego há pelo menos dois anos

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 09h15
Atualizado 15 de agosto de 2019 | 13h49

RIO - A taxa de desemprego no País caiu para 12% no segundo trimestre, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quinta-feira, 15, pelo IBGE. No primeiro trimestre, a taxa era de 12,7% e no segundo trimestre de 2018, de 12,4%.

A pesquisa indica que o desemprego recuou em 10 Estados, na comparação com o primeiro trimestre. As maiores taxas foram observadas na Bahia (17,3%), Amapá (16,9%) e Pernambuco (16%) e as menores em Santa Catarina (6%), Rondônia (6,7%) e Rio Grande do Sul (8,2%). Em São Paulo, o desemprego recuou de 13,5% no primeiro trimestre para 12,8% no segundo trimestre do ano.

Há uma tendência de redução na taxa de desemprego em quase todo o País, mas ainda puxado pela informalidade ou por um movimento sazonal de recuperação de contratações na passagem do primeiro trimestre para o segundo trimestre, explicou Adriana Beringuy, analista do IBGE.

“A gente sabe que o segundo trimestre de cada ano é momento em que de fato há tendência de queda (na taxa de desemprego), faz parte. Porque você vem de primeiro trimestre, do processo de dispensa de temporários, tem redução no número de pessoas trabalhando. E no segundo trimestre isso tende a ser revertido”, explicou Adriana.

“Em algumas unidades (da federação), mesmo que não tenha queda estatisticamente significativa, você tem tendência de redução (da taxa de desemprego). Esse movimento de tendência de redução da taxa de desocupação acontece em quase todo o País”, disse a pesquisadora.

Segundo Adriana, repor o estoque de empregos perdidos durante a crise ainda é um desafio para todo o País, especialmente os postos de trabalho com carteira assinada.

“Todas as regiões registraram aumento na população ocupada no segundo trimestre, mas não necessariamente se reverteram em aumento de carteira assinada. Só em casos pontuais. O substancial, o relevante do aumento da população ocupada foi via emprego sem carteira e conta própria”, apontou.

Adriana lembra que os serviços com menos qualificação são os que vêm absorvendo mais trabalhadores, com rendimento menor, muitas vezes sem carteira de trabalho assinada. Em função da precariedade da inserção desses trabalhadores no mercado de trabalho, o aumento na população ocupada não tem elevado as contribuições previdenciárias.

“Então há espaço muito grande no mercado de trabalho para se reconstruir. Somente com os meses vamos observar se essa melhora quantitativa será de fato acompanhada por ganhos qualitativos no mercado de trabalho”, concluiu Adriana.

Busca por trabalho

No segundo trimestre de 2019, o Brasil tinha 3,347 milhões de pessoas em busca de emprego há dois anos ou mais, segundo os dados do IBGE. No trimestre anterior, esse contingente era de 3,319 milhões de desempregados em busca de uma vaga há tanto tempo.

Em relação ao segundo trimestre de 2018, aumentou em 6,2% o contingente de desempregados há pelo menos dois anos.

Outros 1,807 milhão de trabalhadores procuram emprego há mais de um ano, mas menos de dois anos. O grosso dos desempregados no quarto trimestre, 5,823 milhões, estava em busca de uma vaga havia pelo menos um mês, mas menos de um ano. Na faixa dos que tentavam encontrar um trabalho havia menos de um mês, estavam 1,789 milhão de pessoas.

Salários

 Na passagem do primeiro trimestre para o segundo trimestre do ano, o rendimento médio dos trabalhadores ocupados recuou significativamente no Paraná (queda de 4,3%, para R$ 2.488) e Distrito Federal (recuo de 4,7%, para R$ 3.945).

Na média nacional, o rendimento médio real de todos os trabalhos foi estimado em R$ 2.290, uma queda em relação ao trimestre imediatamente anterior (quando estava em R$ 2.321) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (quando foi de R$ 2.295).

Em relação ao segundo trimestre de 2018, não houve variação estatisticamente significativa do rendimento médio real em nenhuma unidade da federação, afirmou o IBGE.

Mais mulheres fora do mercado

 A taxa de desemprego entre as mulheres brasileiras foi de 14,1% no segundo trimestre do ano, significativamente superior à taxa de desocupação de 10,3% dos homens.

As taxas de desemprego mais elevadas entre as mulheres foram observadas em todas as grandes regiões. As mulheres também se mantiveram como maioria na população fora da força de trabalho (64,6%) no País.

O rendimento médio dos homens foi de R$ 2.521 no segundo trimestre, contra uma renda média de R$ 1.991 recebida pelas mulheres. Na média global, o rendimento médio dos ocupados foi de R$ 2.290.

O porcentual de mulheres na população desocupada no segundo trimestre de 2019 foi de 52,8%. O nível da ocupação dos homens foi estimado em 64,3%, enquanto o das mulheres ficou em 45,9%.

O desemprego entre os brasileiros que se declaram brancos (9,5%), permaneceu significativamente abaixo da taxa de desocupação dos autodeclarados pretos (14,5%) e pardos (14,0%) no segundo trimestre.

No segundo trimestre de 2019, a população desempregada totalizou 12,8 milhões de pessoas. A participação dos pardos foi de 52,1%; a dos brancos reduziu, 34,7%; e a dos pretos, 12,2%.

Desalento

A Região Nordeste tem quase três milhões de pessoas em situação de desalento, ou seja, 2,919 milhões de habitantes da região não procuravam emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga, por exemplo.

O Brasil registrou um recorde de 4,877 milhões de pessoas em situação de desalento no segundo trimestre de 2019. Os maiores contingentes estavam na Bahia (766 mil pessoas) e no Maranhão (588 mil). Os estados com menor população desalentada foram Amapá (13 mil) e Rondônia (15 mil).

O porcentual de pessoas desalentadas - em relação a todos os desocupados, ocupados e pessoas com disponibilidade para trabalhar mas que não estão procurando emprego - foi de 4,4% na média do País, mas alcançou 18,4% no Maranhão e 15,2% em Alagoas. Os menores porcentuais foram registrados em Santa Catarina (0,9%) e Rio de Janeiro (1,3%).

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