Desemprego recua para 6,2% e é o menor desde o início da série

Com massa salarial no nível recorde em junho, resultado reforça previsão de alta de 0,25 ponto na taxa Selic

Daniela Amorim / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

A taxa de desemprego no País teve leve recuo de maio para junho, de 6,4% para 6,2%, o menor nível para o mês desde 2002, quando teve início a Pesquisa Mensal de Emprego, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou no teto das expectativas do mercado, mas analistas ainda veem o emprego aquecido, o que reforça a previsão de alta de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A massa salarial paga aos trabalhadores brasileiros se manteve em nível recorde em junho, em R$ 35,6 bilhões, e o rendimento médio real subiu 0,5% ante maio, para R$ 1.578,50. Para o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada, as variações expressivas tanto na renda quanto na massa salarial mantêm a incerteza sobre o cenário prospectivo de inflação.

"Apesar dos sinais de moderação, os dados referentes à ocupação formal, tanto da PME quanto do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de junho, ainda reforçam a necessidade de cautela na condução da política monetária", analisou Bacciotti, que prevê um aumento de 0,25 ponto porcentual na Selic em julho, agosto e outubro, para uma taxa de 13% ao ano.

Na avaliação do economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat, a taxa de desemprego na mínima histórica e o aumento do poder de compra dos trabalhadores pesam sobre a decisão do Copom. "O Banco Central já demonstrou preocupação com o comportamento do mercado de trabalho e deve recorrer novamente a esse argumento para justificar a continuidade do aperto monetário", disse Combat, que espera alta de 0,25 ponto porcentual na taxa de juros hoje e outro de 0,25 ponto na reunião de agosto.

A renda forte não evitou a queda de vagas nos grupos comércio e outros serviços - categoria que engloba alimentação, hospedagem, recreação e turismo, entre outros. O comércio perdeu 73 mil vagas no conjunto das seis regiões metropolitanas que compõem a pesquisa, enquanto o setor "outros serviços" teve redução de 46 mil vagas. "O resultado do comércio está ligado diretamente ao aumento do poder de compra, que eleva a ocupação. Mas não é isso que estamos vendo aqui. Temos de esperar mais um ou dois meses para entender o que aconteceu", disse Cimar Azeredo, gerente da coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, reconhecendo que fatores externos podem estar restringindo o consumo.

Enquanto o emprego no comércio teve retração, a indústria criou 29 mil vagas em junho. O resultado foi puxado pela região metropolitana de São Paulo, onde o emprego industrial subiu 2,1% em relação a maio, com 41 mil novas vagas. A região também foi responsável pelo recuo nas vagas do comércio. O comércio paulista demitiu 67 mil empregados em junho e o setor "outros serviços" dispensou 11 mil pessoas.

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