Desemprego recua para 7,3% em abril

Índice apurado pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas cai ao menor nível para meses de abril desde o início da série, em 2002

Jacqueline Farid, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

RIO

O mercado de trabalho iniciou o segundo trimestre aquecido no País, com aumento no número de vagas, na formalidade e no rendimento dos trabalhadores. A taxa de desemprego apurada pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas recuou para 7,3% em abril, o menor nível para meses de abril da série histórica iniciada em 2002. Em março, a taxa havia sido de 7,6%.

O gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo, disse que a primeira inflexão na taxa de desemprego em 2010, em abril, "mostra uma força maior do cenário econômico que acaba refletindo no mercado de trabalho, que está contratando e elevando as vagas com carteira, com aumento do poder de compra ante abril do ano passado".

Segundo ele, este ano já mostra uma configuração do mercado de trabalho "com desenvolvimento similar ao de 2008, antes da crise, mas em patamar de desemprego mais baixo". Ele acrescentou que "o mercado de trabalho vem mostrando um desempenho bastante favorável".

A taxa de abril surpreendeu os analistas econômicos, que esperavam 7,6% em média, segundo a Agência Estado. A economista do banco Santander, Luiza Rodrigues, disse que os dados vão levar a uma revisão na projeção do banco para a taxa média de 2010 de 7% para 6,8%.

Confirmada a expectativa, a taxa de desemprego será a menor da série, bastante inferior às de 2008 (7,9%) e 2009 (8,1%). "Os números confirmam a nossa opinião de que o mercado de trabalho está muito aquecido e as empresas estão enfrentando dificuldades para encontrar trabalhadores disponíveis", diz Luiza.

O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério Souza, avalia que "a roda do emprego e renda está girando com grande rapidez no Brasil". Para ele, os dados do IBGE confirmam um mercado de trabalho muito aquecido em abril. "Esse processo dá indicação de que o caminho brasileiro para o crescimento deste ano é sólido e muito dinâmico."

O analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski também vê um mercado de trabalho bem aquecido no início deste segundo trimestre, "refletindo o forte desempenho da atividade econômica como um todo". Segundo ele, com as boas perspectivas para a economia, as pessoas estão voltando a procurar emprego. "Para o resto do ano, esperamos a continuidade da expansão do mercado de trabalho, mas em ritmo mais brando, principalmente da ocupação, ante a expectativa de desaceleração da atividade econômica."

Formalidade. Para Azeredo, do IBGE, das 907 mil vagas nas seis principais regiões metropolitanas em abril, ante igual mês do ano passado, 704 mil são com carteira assinada. Segundo ele, o porcentual de ocupados com carteira no universo total das seis regiões subiu para 51% em abril, a maior fatia da série iniciada em março de 2002, quando o porcentual com carteira era de 46%.

Os dados de abril também mostraram elevação no rendimento médio real dos trabalhadores, que ficou estável (0,1%) em relação a março, mas aumentou 2,3% ante abril do ano passado. Para Azeredo, a estabilidade mês a mês pode estar refletindo o aumento na inflação, mas a expansão ante igual mês de ano anterior confirma o maior poder de compra dos trabalhadores.

Para Wjuniski, da Tendências, a trajetória da renda deve continuar em expansão, mas seguir em ritmo mais brando do que no primeiro trimestre, em linha com a expansão de abril. Ele lembra que no primeiro trimestre a renda "foi fortemente influenciada" pelo reajuste do salário mínimo, "bem como o forte aquecimento da atividade, que deve desacelerar no resto do ano".

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