Desemprego se mantém estável na Região Metropolitana de São Paulo

A taxa de desemprego nos 39 municípios que compõem a Região Metropolitana de São Paulo ficou em 17% da População Economicamente Ativa (PEA) em maio, representando uma estabilidade na comparação com a taxa de abril, que era de 16,9%. O dado foi divulgado nesta quarta-feira pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O contingente de desempregados na região, em maio, era de 1,71 milhão de pessoas, 14 mil a mais do que no mês anterior. Foram criados 13 mil postos de trabalho, quantidade insuficiente para absorver a expansão de 27 mil pessoas no mercado de trabalho.O índice de 17% é melhor, entretanto, do que o verificado em maio do ano passado, de 17,5%. Conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada pelas instituições, o nível de ocupação ficou praticamente inalterado, com oscilação de 0,2%, resultado da criação de 40 mil postos em Serviços e outros 19 mil no Comércio; tendo como contrapartida 22 mil cortes na Indústria e outras 24 mil demissões em Outros Setores, concentrado, principalmente em Construção Civil e Serviços Domésticos.Entre março e abril, houve queda nos rendimentos médios reais do total de ocupados e também dos assalariados. Assim, o rendimento médio real dos ocupados correspondeu a R$ 1.039, queda de 1,3% ante março, e, entre os assalariados, o rendimento equivaleu a R$ 1.103, recuo de 1,1% sobre março. Segundo as instituições, os rendimentos aproximaram-se dos valores recebidos pelos trabalhadores em abril de 2003.Surpresa negativaA estabilidade da taxa de desemprego na Grande São Paulo surpreendeu negativamente os técnicos da Fundação Seade e do Dieese. Para o mês, era esperado o início do processo de declínio do desemprego, pela via da expansão da ocupação.Por outro lado, os mesmos especialistas admitiam que o desemprego poderia subir porque, com maior oferta de vagas, mais pessoas poderiam ingressar no mercado de trabalho em busca de ocupações. "Houve pequena criação de cargos e, ainda assim, insuficiente para cobrir o pequeno aumento da PEA", disse o coordenador de Análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), pela Fundação Seade, Alexandre Loloian."Nossa estranheza e preocupação é com esse resultado bastante morno, que já havia sido verificado também em abril", justificou. Segundo ele, tal comportamento no mercado de trabalho indica que a economia está em "compasso de espera" e que as informações disponíveis sobre investimentos e ofertas de cargos "não são estimulantes e, com isso, a população não sai em busca de trabalho"."Os setores que mais empregam são menos intensivos de mão-de-obra, caso do Petróleo, Álcool e Mineração, sem grande presença na Região Metropolitana. Os segmentos que mais desempregam são exatamente aqueles que demandam mão-de-obra intensiva, caso de Confecções, Vestuário e Alimentação", explicou.Para ele, além das indicações ainda tímidas de investimentos produtivos, o mercado de trabalho também sofre com a queda das exportações e ampliação das importações, provocadas pela valorização do real ante o dólar. "Essa valorização também influencia diretamente na concorrência do mercado doméstico, onde as indústrias sofrem com a concorrência chinesa", apontou.Para o ano, os técnicos das duas instituições mantêm projeção de queda do nível de desemprego, mas ainda não sabem posicionar em que mês a taxa poderá cair. "Tudo dependerá diretamente da política econômica, da queda dos juros e de como ficará o câmbio. Agora, é fato que o mercado de trabalho tem sua sazonalidade e, certamente, em algum momento do segundo semestre, o desemprego diminuirá", observou a técnica do Dieese, Marise Hoffmann."É preciso mexer em algumas coisas importantes e o câmbio é uma delas. Temos ainda muitas incertezas e não vejo que seja absolutamente irreal repetirmos o comportamento de 2005", complementou Loloian, ao lembrar que, no ano passado, a taxa de desemprego na Grande São Paulo só começou a cair a partir de agosto. "Nossos dados, até o momento, recomendam cautela."RendaO rendimento médio real recebido em abril pelo total dos ocupados da Região Metropolitana de São Paulo, e também pelo subconjunto dos assalariados, foi o menor da última década, correspondendo ao mesmo valor recebido em abril de 2003 de acordo com a PED. O rendimento médio dos ocupados equivaleu a R$ 1.039, em abril, queda de 1,3% sobre março, enquanto o dos assalariados correspondeu a R$ 1.103, redução de 1,1% ante março. Em relação a abril do ano passado, as quedas foram de 1,7% e 2,5%, respectivamente.Segundo os especialistas, a retração dos rendimentos foi provocada por uma conjunção de fatores: queda do nível de atividade; baixo crescimento das ocupações; criação de postos de menor remuneração; e aumento das demissões em cargos de maiores vencimentos. "Se olharmos os dados do Ministério do Trabalho, notamos que as admissões nos últimos meses foram concentradas nos salários médios de R$ 450, enquanto as demissões aconteceram mais para quem recebe cerca de R$ 1,5 mil", disse Loloian.Também mereceu atenção dos especialistas as quedas das massas de rendimentos dos ocupados e assalariados da Grande São Paulo, entre março e abril, de 0,9% e 1,4%, respectivamente. Em comparação a abril do ano passado, as reduções foram de 0,4%, na massa do rendimento dos ocupados, e de 1,1%, dos assalariados. Por ser uma média trimestral (fevereiro, março e abril) dos rendimentos, a PED diluiu os efeitos do aumento do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350.A técnica do Dieese Marise Hoffmann observou que algumas categorias não obtiveram reajuste dos vencimentos, mesmo depois do acréscimo do mínimo. Tanto que, na Grande São Paulo, 14,7% dos ocupados receberam, em abril, menos do que o mínimo, enquanto que a média histórica é de 11% a 12%. "O mínimo terá um impacto mais adiante", ressaltou, explicando que algumas categorias ainda negociavam correção salarial em abril e os efeitos também aparecerão posteriormente.Os dados da PED se contrapõem aos indicados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme a PME, o rendimento médio real dos trabalhadores de seis regiões metropolitanas brasileiras ficou, em maio, em R$ 1.027,80, com aumento de 1,3% ante abril e de 7,7% ante maio do ano passado. Loloian explicou que as duas pesquisas possuem metodologias diferentes e, por isso, os resultados não foram iguais.Segundo ele, a PME avalia seis regiões metropolitanas, enquanto a PED se concentra na Grande São Paulo. Além disso, o IBGE colheu informações sobre vencimentos de maio, enquanto Seade/Dieese fizeram levantamento sobre abril. Na PED, o valor informado corresponde a uma média trimestral, o que também dilui efeitos sobre aumentos. Outra diferença é que, aos entrevistados, o IBGE indagou qual valor "habitualmente" recebido, ao passo que Seade/Dieese indagaram sobre o valor "efetivamente" recebido.

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