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Desemprego sobe a 6,2% em março

Apesar da alta ante fevereiro, taxa é a menor da série para o março; renda cresce

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h04

Embora a taxa de desemprego tenha aumentado 0,5 ponto porcentual em março, passando para 6,2%, segue em patamar inferior ao verificado no mesmo mês do ano passado, indicando que o cenário no mercado de trabalho ainda é favorável em 2012. Tanto a renda média quanto a massa de salários pagos aos trabalhadores aumentaram, atingindo níveis recordes na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O cenário é benigno, sem a menor dúvida", afirmou José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Opus Investimentos.

"Nós estávamos esperando um aumento no desemprego um pouco menor. Mas, por outro lado, o rendimento aumentou muito, o que é claramente um sinal de que o mercado de trabalho continua muito aquecido."

A taxa de março foi o menor resultado para o mês desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002. Já a renda média subiu 1,6% de fevereiro para março, para R$ 1.728,40, contribuindo para uma massa salarial de R$ 39,4 bilhões em março.

"O que está me preocupando é essa renda real subindo a uma taxa de 5,6% em relação a março do ano passado. Isso denota uma possível pressão da demanda sobre a inflação nos próximos meses", alertou André Guilherme Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Renda. O aumento da renda dos ocupados em março foi puxado pelo aumento do salário mínimo, que chegou defasado a algumas categorias, e pela dispensa de temporários, que tradicionalmente possuem salários menores. Já o avanço da taxa de desemprego deve-se a uma continuidade na dispensa de trabalhadores temporários, iniciada em janeiro, segundo o IBGE. A série histórica aponta um efeito sazonal após as contratações características de dezembro, com a demissão de temporários que pode se prolongar até março.

"Em janeiro, fevereiro e março é comum a taxa (de desemprego) subir, porque não costuma ter contratação de trabalhadores. Pelo contrário, costuma haver dispensa de temporários", afirmou Cimar Azeredo, gerente da pesquisa.

Azeredo alerta que só é possível verificar se há uma tendência de avanço do desemprego no mercado de trabalho a partir de abril, quando normalmente há um aumento no ritmo de contratações de trabalhadores diante de um cenário econômico favorável. "Se subir a taxa em abril, você pode dizer que houve uma demora na resposta do mercado de trabalho em relação ao cenário econômico. Não é mais dispensa de temporários, aí já é uma demora do mercado de voltar a contratar", disse o gerente do IBGE.

Apesar do aumento no desemprego em março, a taxa média dos três primeiros meses do ano foi de 5,8%, menor do que no mesmo período de 2011 (6,3%).

"Pode ser que esse aumento da desocupação em março seja por ter mais gente disposta a entrar no mercado de trabalho e que antes era considerada em desemprego por desalento. São pessoas que voltaram a procurar emprego", considerou Alcides Leite, professor de Economia na Trevisan Escola de Negócios.

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