Felipe Rau/Estadão/29/8/2019
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coluna

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Desemprego chega a 12,2% e informais são os primeiros atingidos pela pandemia, aponta IBGE

Atividades que tiveram as maiores quedas na ocupação são as que mais absorvem o trabalhador informal, como serviço doméstico e comércio

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 09h45

RIO - Os trabalhadores informais foram os primeiros atingidos pela crise econômica causada pela pandemia de covid-19, mostram os primeiros dados de março sobre o mercado de trabalho, divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE).

Como boa parte das pessoas que perderam o trabalho foram para a “inatividade”, ou seja, deixaram até mesmo de procurar emprego, o desemprego ainda não subiu tanto. A taxa de desemprego ficou em 12,2% no primeiro trimestre, acima dos 11,0% do quarto trimestre de 2019, mas abaixo dos 12,7% dos três primeiros meses de 2019.

Os informais somaram 36,806 milhões de trabalhadores, 1,929 milhão a menos na comparação com o quarto trimestre de 2019. A notícia poderia ser positiva se esse contingente tivesse trocado a informalidade por vagas formais, mas, na passagem do fim de 2019 para o início deste ano, o País registrou a demissão de 572 mil trabalhadores com carteira assinada.

As dispensas foram recordes nas atividades de alojamento e alimentação, outros serviços (especialmente serviços pessoais, como cabeleireiro e manicure), serviços domésticos e comércio. “As atividades que mais tiveram queda na ocupação são justamente as que absorvem mais o trabalhador informal. Você tem um processo de dispensa muito grande. Não significa que não tenha havido dispensa de carteira de trabalho também”, explicou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No movimento sazonal do mercado de trabalho brasileiro, o desemprego sempre é menor no fim de um ano e sobe no início do seguinte, o que ajuda a explicar a dispensa de trabalhadores tanto informais quanto formais. Só que a pesquisadora do IBGE chamou a atenção para uma atividade econômica, para demonstrar o efeito da pandemia. “O que me chamou atenção mesmo foi alojamento e alimentação, que é uma atividade que não tem dispensa nessa época do ano”, disse Adriana.

O contingente de inativos, ou seja, os trabalhadores que não estão procurando emprego, embora estejam em idade ativa, também chama a atenção. No primeiro trimestre deste ano, 67,281 milhões estavam nessa condição, número recorde na série da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O contingente de inativos aumentou 3,1% em março deste ano ante março do ano passado, com 2,031 milhões de pessoas a mais nessa condição. Em apenas um trimestre, a população inativa teve um salto de 1,851 milhão de pessoas a mais, alta de 2,8%.

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Para o economista Julio Cesar Barros, da MAG Investimentos, a queda na força de trabalho, consequência do aumento da inatividade, foi motivada pelas incertezas da crise, com a população deixando de procurar vagas. Por outro lado, possibilitou que o desemprego não saltasse no período.

No primeiro trimestre, o Brasil tinha 12,850 milhões de pessoas desempregadas - ou seja, em busca de emprego, conforme a metodologia internacional. Houve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior: há menos 537 mil desempregados ante março de 2019, o equivalente a um recuo de 4,0%. Em relação a dezembro de 2019, houve aumento de 1,218 milhão de desempregados, uma alta de 10,5%.

O economista da MAG acredita que a taxa de desemprego vai subir mais, alcançando 13,9% no último trimestre de 2020 e 13,5% na média do ano, sinalizando um novo recorde na série histórica iniciada em 2012. O quadro é ruim, mesmo que persista o movimento de saída dos trabalhadores da força de trabalho, após perderem seus empregos, formais ou informais, e as medidas do governo federal preservem parte dos postos. “Isso não muda a perspectiva de prejuízos no mercado de trabalho”, disse Barros.

Já o economista Daniel Silva, da Novus Capital, projeta que a fila de trabalhadores em busca de emprego crescerá fortemente até o fim do ano. Para Silva, a taxa de desemprego deve alcançar o pico entre 16% e 17%, ou "até um pouco mais", nos próximos meses, terminando o último trimestre em 14,5% -- 3,5 pontos porcentuais acima do mesmo período de 2019.

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, lembrou que a pesquisa do primeiro trimestre, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, representa apenas 15 dias de impacto do coronavírus, o que suaviza a piora dos dados apresentados. O economista chama atenção, por exemplo, para o rendimento médio real habitual, que ficou estatisticamente estável em R$ 2.398,00.

“A piora do rendimento vai acontecer principalmente a partir de abril e é algo a ser observado. Deve ter efeitos relevantes sobre a economia”, afirmou Vieira. / COLABORARAM VINICIUS NEDER, CÍCERO COTRIM E THAÍS BARCELLOS

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