Desemprego sobe para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro

Taxa é a maior desde o trimestre encerrado em junho de 2013, segundo a Pnad Contínua; em janeiro, indicador havia sido de 6,8%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 09h04

A taxa de desemprego no Brasil avançou no trimestre encerrado em fevereiro para 7,4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa desde o trimestre encerrado em junho de 2013, quando também fechou em 7,4%. Em janeiro, o indicador havia ficado em 6,8%.

A série histórica da pesquisa com resultados para trimestres encerrados mês a mês teve início em janeiro de 2012. O IBGE apresenta o cálculo em trimestre móvel, pois a metodologia de coleta e cálculo da pesquisa impede isolar os dados apenas de um mês.

Segundo o instituto, a renda média real do trabalhador foi de R$ 1.817, 1,1% maior do que em igual período de 2014. Já a massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 162 bilhões, alta de 2,2% na mesma base de comparação. 

Entre janeiro e fevereiro, no entanto, a massa de rendimento real mostrou tendência de queda, decorrente do número menor de pessoas ocupadas, comentou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. 

No trimestre até fevereiro, a massa de renda real somou R$ 162,271 bilhões, abaixo do observado nos três meses até janeiro (R$ 163,076 bilhões). "No período mais curto, a massa de renda começa a apresentar leve tendência de queda. Isso tem a ver com a queda na ocupação", afirmou Azeredo.

Crise chega ao emprego. O resultado da Pnad mostra que os efeitos do esfriamento da economia chegou de forma efetiva ao mercado de trabalho. A avaliação é do economista da RC Consultores Marcel Caparoz, para quem a tendência é de uma deterioração maior do emprego. 

Para o ano que vem, a seguir o ritmo atual de desemprego, a taxa deverá subir para 8%, prevê o economista. "A renda das famílias está diminuindo e as pessoas que estavam entrando no mercado de trabalho mais velhas passaram a procurar emprego", disse o economista.

Segundo Caparoz, um exemplo que ilustra bem a tese é a comparação do total de vagas abertas em 2010, de 2,4 milhões, com o total de novos postos de trabalho abertos no ano passado, de apenas cerca de 400 mil, segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged). 

"São mais pessoas disputando um número de vagas bem menor", diz, reiterando que esta dinâmica tende a piorar já que tudo indica que a renda das famílias vai apertar ainda mais daqui para frente.

Caparoz reconhece que não se pode desconsiderar as influências sazonais que a taxa de desemprego no trimestre terminado em fevereiro carrega. Por outro lado, de acordo com ele, não se pode também desconsiderar que de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014 a taxa de desemprego subiu 0,6 ponto porcentual - de 6,8% para os atuais 7,4%. 

"A seguir neste mesmo ritmo, a taxa de desemprego no trimestre terminado em fevereiro de 2016 irá para 8%", reafirma o economista. Para ele, o melhor momento para o emprego foi 2014, já que em 2012 a taxa de desemprego foi de 7,8%, em 2013 de 7,7%. 

Desocupados. De acordo com o IBGE, a procura por trabalho aumentou no trimestre encerrado em fevereiro de 2015, mas parte desse contingente não conseguiu uma vaga. A Pnad Contínua mostra que, nos três meses até fevereiro deste ano, a população na força de trabalho aumentou 1,6% em relação a igual período de 2014, o que significa 1,596 milhão de pessoas a mais. 

Porém, a população desocupada foi engrossada por 778 mil pessoas, alta de 11,7% em relação ao trimestre até fevereiro do ano passado.

O emprego também aumentou no período. Ao todo, 818 mil pessoas conseguiram trabalho no trimestre até fevereiro de 2015, alta de 0,9% em relação a igual período de 2014. Mas o nível da ocupação caiu para 56,4% - 0,6 ponto porcentual a menos, na mesma base de comparação.

Já a inatividade subiu 2,4% no período, com 1,504 milhão de pessoas a mais. A Pnad Contínua analisa a população de 14 anos ou mais. 

(Com informações de Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado)

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