Desemprego surpreende e recua para 5,8% em maio

Caged apura menor saldo de vagas criadas para maio em 3 anos, de 139.679 postos; diferença de metodologia explicaria divergência

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h04

Duas pesquisas que medem o nível do emprego no País apresentaram resultados aparentemente contrastantes em maio. Enquanto os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego mostraram o menor saldo de vagas criadas para o mês desde 2009 - apenas 139.679 postos -, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, registrou número recorde de ocupados, com 22,984 milhões de pessoas.

A explicação está nas diferenças metodológicas entre as duas pesquisas. O dados do Caged são fornecidos pelos empregadores em todo o País e reúnem apenas postos com carteira assinada. A PME é baseada nas informações dos próprios empregados e apenas em seis regiões metropolitanas do País, mas abrange todo o tipo de trabalho, incluindo o informal.

"Os dados da indústria e da agropecuária no Caged estão muito fracos, mas normalmente ficam fora das regiões metropolitanas. E a PME ainda capta mais os serviços, porque se concentram nas regiões metropolitanas. Há uma resistência ainda no emprego no setor de serviços", explicou Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria Integrada.

Para o economista da LCA Consultores, Fábio Romão, o que também pode explicar a contradição entre os dois indicadores é o recorte geográfico diferente. "O IBGE pesquisa o emprego metropolitano, enquanto o Caged é Brasil."

A despeito do ritmo fraco da atividade econômica no País, a taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística recuou de 6,0% em abril para 5,8% em maio, o menor nível para o mês desde 2002. O resultado intrigou economistas, que não esperavam fôlego na retomada das contratações num momento em que a economia patina, e ainda procuram explicações.

Produtividade. "Pode ser que a produtividade esteja caindo, que tenha de colocar mais gente para produzir a mesma coisa, ou que tenha mais gente trabalhando no setor de serviços", avaliou Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central.

O aumento na renda real do trabalhador, impulsionado pelo reajuste do salário mínimo em janeiro, estimula a demanda por serviços, justamente o setor que aponta um saldo maior de vagas na PME. A renda média do trabalhador teve um aumento real de 4,9%, na comparação com maio de 2011. No mesmo período, houve aumento nas contratações nas atividades de educação, saúde e administração pública (217 mil novas vagas); outros serviços, que incluem hotel e recreação (140 mil vagas), e serviços prestados a empresas (176 mil vagas).

"Esse setor da economia está muito aquecido ainda. É só ver os dados da Pesquisa Mensal do Comércio, com alguns setores crescendo 6%, 7%, 8% em relação ao ano passado. É um negócio que se retroalimenta: aumento do pessoal ocupado e aumento da renda, consequentemente a expansão da massa salarial estimula a demanda por serviços e bens de comércio, e esses setores seguem aquecidos", avaliou Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados.

Segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE, o setor de Serviços cresceu 1,6% no primeiro trimestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o Consumo das Famílias avançou 2,5%. No mesmo período, a indústria ficou estagnada (0,1%).

Os dados se refletem no emprego industrial, caracterizado pela formalização da mão -de obra. A pesquisa do IBGE mostrou um corte de 51 mil postos de trabalho na indústria em maio, em relação ao mesmo mês de 2011. Entretanto, a troca do emprego na indústria por vagas no comércio e nos serviços pode ter reflexos no mercado de trabalho no futuro.

"Como o setor industrial é o que gera empregos com maiores salários, eventualmente essa destituição de empregos na indústria vai pesar no salário, que vai pesar na demanda dos outros setores da economia, e haverá uma reversão na taxa de desemprego", alertou José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Opus Investimentos. / COLABOROU MARCELO REHDER

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