Itaci Batista/Estadão
Itaci Batista/Estadão

Desemprego tem maior nível em quatro anos e rendimento cai

Taxa subiu para 6,4% em abril, maior patamar desde março de 2011; rendimento médio recuou quase 3% ante mesmo mês de 2014

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 09h08

RIO - O desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil atingiu o maior nível em quatro anos, enquanto o rendimento médio dos trabalhadores teve a terceira queda seguida. 

A taxa ficou em 6,4% em abril, ante 6,2% em março, segundo dados sem ajuste sazonal, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do maior nível desde março de 2011, quando o desemprego atingiu 6,5%. Já o rendimento médio real, já descontados os efeitos da inflação, somou R$ 2.138,50 - o que representa uma queda de 0,5% em abril ante março e de 2,9% na comparação com o mesmo mês de 2014. Nas duas comparações, foi o terceiro recuo consecutivo.

Considerando apenas meses de abril, a taxa de desemprego observada em 2015 é a maior desde 2010, quando ficou em 7,3%, e igual à de 2011 (6,4%). O resultado do mês passado, no entanto, ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, da Agência Estado, que esperavam taxa entre 6% e 6,6%, e acima da mediana projetada, de 6,30%.

 

Segundo o IBGE, a massa de renda real habitual dos ocupados no País somou R$ 49,3 bilhões em abril, queda de 0,5% em relação a março. Na comparação com abril de 2014, o montante diminuiu 3,8%. Já a massa de renda real efetiva dos ocupados totalizou R$ 49,7 bilhões em março deste ano, também uma queda (-1,5%) contra o mês de fevereiro. Em relação a março de 2014, houve redução de 3,9% na massa de renda efetiva.

 

Filas por emprego. A tendência de queda da população ocupada está por trás da alta do desemprego, segundo Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. Sem encontrar trabalho, essas pessoas tem engrossado a chamada população desocupada, formada por pessoas que estão na fila por um emprego.

 

"O aumento da taxa veio justamente do crescimento da população desocupada. Associada a isso há uma tendência de redução da população ocupada, além do menor crescimento dos inativos", disse Adriana.

 

A população desocupada aumentou em 384 mil pessoas em base anual, alta de 32,7% em relação a abril do ano passado - o maior avanço neste tipo de comparação em toda a série da Pesquisa Mensal de Emprego, iniciada em março de 2002. Já a população ocupada diminuiu 0,7%, o que representa um corte de 171 mil vagas. A população inativa, por sua vez, cresceu apenas 0,4% (70 mil pessoas).

 

A técnica do IBGE lembrou que antes a população não economicamente ativa crescia em ritmo mais rápido devido ao desinteresse de jovens e mais idosos por trabalhar, possivelmente respaldados pelo crescimento do rendimento da família. "Agora, existe tendência de redução do rendimento, e o avanço dos inativos é menor. Podem ser fatores ligados entre si. É uma hipótese", comentou.

 

Diante disso, há dois movimentos que "abastecem" a maior procura por emprego e pressionam o mercado de trabalho, frisou Adriana. "A população desocupada é abastecida tanto por pessoas que perdem trabalho quanto por pessoas que antes não estavam procurando e agora passam a procurar", disse.

 

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