Desemprego tem menor nível para outubro

Desocupação caiu de 5,4% em setembro para 5,3% no mês passado, segundo IBGE

DANIELA AMORIM / RIO , LUIZ GUILHERME GERBELLI , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h18

A taxa de desemprego no País caiu de 5,4% em setembro para 5,3% em outubro, o menor patamar para o mês desde o início da Pesquisa Mensal de Emprego, em 2002, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais pessoas saíram à procura de trabalho, mas o movimento foi superado pela expansão na geração de vagas, sobretudo em São Paulo.

Embora a taxa de desocupação esteja praticamente estável há quatro meses, analistas afirmam que o mercado de trabalho mantém-se aquecido. Um dos principais indícios é o aumento da renda do trabalhador. O rendimento médio dos empregados subiu 0,3% em outubro em relação a setembro, sendo que, na comparação com outubro do ano passado, o ganho real foi de 4,6%. "Os salários reais continuam a subir, a despeito de a economia estar crescendo 1,5% no ano. Isso vem da força do mercado de trabalho", afirmou Jorge Arbache, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.

Arbache explica que o reajuste no salário mínimo ajuda a elevar a renda dos empregados no comércio e nos serviços, mas que o rendimento do trabalhador também cresce pela falta de mão de obra em setores como a construção.

A massa de salários paga aos trabalhadores brasileiros totalizou R$ 42,2 bilhões em outubro, um aumento de 1,6% em relação a setembro. "Há um ambiente que tem favorecido a composição salarial e o aumento da massa de rendimentos", avaliou Rafael Bacciotti, economista da consultoria Tendências.

Bacciotti observou que o ritmo de crescimento da massa salarial vem se intensificando desde agosto, na comparação c om o mesmo mês de 2011. Em outubro, a alta foi de 7,9%. "Com a perspectiva da retomada da atividade econômica, esse movimento de aumento na massa de rendimentos, na renda e no número de ocupados deve continuar no fim do ano", previu.

Na passagem de setembro para outubro, a queda na desocupação nacional foi puxada pela redução na taxa de desemprego em São Paulo, que passou de 6,5% para 5,9% no mesmo período. Mas o bom resultado não se repetiu em todo o País. Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas, a taxa de desemprego aumentou em quatro, com destaque para Recife (de 5,7% para 6,7%).

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, é normal que o número de pessoas procurando trabalho aumente em algumas regiões nessa época, de olho nas contratações temporárias para o fim do ano. "Pode ter aumento na desocupação em algumas regiões por causa das pessoas tomando providências para entrar nesse processo de contratação de temporários em dezembro", afirmou.

Embora o aumento no número de pessoas em busca de trabalho temporário afete a taxa de desemprego total, houve também uma dispensa de trabalhadores no Recife, o que impediu uma inflexão maior na desocupação no País. Nessa região metropolitana, houve um aumento de 18 mil pessoas em busca de trabalho, além de um corte de 19 mil vagas.

Ao mesmo tempo, São Paulo teve aumento no total de pessoas ocupadas, o equivalente a 133 mil novas vagas. O número de desempregados na região recuou 9,5%, menos 63 mil pessoas na fila do desemprego. "Existe uma expectativa de que as demais regiões sigam a tendência de São Paulo de geração de vagas", disse Azeredo.

A taxa média de desemprego no País ficou em 5,7% nos dez primeiros meses de 2012. No mesmo período de 2011, a taxa média de desemprego ficou em 6,2%. "A taxa de desemprego vai continuar caindo, até por um efeito sazonal", concluiu José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus

Pressão. Com a previsão de aceleração da economia nos próximos meses, a tendência é que o mercado de trabalho continue pressionado. "Os salários devem manter um ritmo de crescimento forte", afirmou Caio Machado, economista da LCA - a entidade prevê um crescimento de 1,7% este ano e de 4,3% em 2013. Machado lembra, porém, que o reajuste do salário mínimo no ano que vem será menor do que o verificado este ano. "Isso tende a dar uma segurada no crescimento dos salários", diz.

Para o professor da Unicamp e diretor adjunto do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), Anselmo Luis dos Santos, as regiões com índices mais baixos de desemprego serão aquelas em que haverá maior pressão do mercado de trabalho. Em outubro, a desocupação em Belo Horizonte e Porto Alegre foi a menor do País. A taxa, segundo o IBGE, foi de 3,9% nos dois locais.

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