Desemprego tem novo recorde de baixa

Taxa de abril é o menor para o mês desde o início da pesquisa, em 2002; mas renda dos trabalhadores registrou queda, segundo IBGE

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

O mercado de trabalho brasileiro iniciou o segundo trimestre aquecido, contrariando a tendência de aumento de desemprego no início do ano em virtude do fechamento de vagas abertas para trabalhadores temporários antes do Natal. Com aumento no número de vagas e na formalidade, a taxa de desemprego recuou de 6,5% em março para 6,4% em abril, o menor nível para o mês em dez anos.

Com este resultado, a taxa caminha para encerrar 2011 em nível menor do que a média do ano passado (6,7%), segundo o gerente de Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

Embora ressalte que o instituto não faz previsões, ele admitiu que o nível de desemprego de abril foi "atípico", o que deve propiciar o resultado anual. Em abril de 2010, a taxa foi de 7,3%.

Sazonalidade. Em geral os meses de dezembro apresentam baixos níveis de desemprego por causa da atividade das indústrias e do comércio antes do Natal. Nos primeiros meses do ano, o movimento é inverso por causa das dispensas de temporários e menor ritmo de vendas do varejo. Isso acaba por manter alta a taxa de desocupação em abril. "Agora, já temos uma taxa de 6,4%, menor do que a média da taxa em 2010, o que é muito positivo", disse o gerente do IBGE.

O IBGE apurou um salto de 6,8% no número de empregados com carteira assinada em abril deste ano em relação a abril do ano passado: um adicional de 686 mil pessoas no mercado de trabalho com carteira assinada. "O mercado de trabalho mais vigoroso e a economia aquecida estimulam os empregadores a assinarem carteira", disse o economista do IBGE.

Inflação e renda. Analistas alertam que um cenário de mercado de trabalho aquecido é inconsistente com um ambiente de controle inflacionário, pois quanto maior o nível de emprego, mais forte é a demanda no mercado interno. Houve queda de 1,8% na renda do trabalhador em abril ante março, mas as razões para este recuo não são claras nem para o IBGE, nem para os economistas. Não houve consenso em considerar a retração como um sinal de enfraquecimento.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, acredita que a queda na massa salarial real e nominal em abril é um sinal de acomodação e desaquecimento da economia. Para ele, este é o indicador mais importante para análise do impacto na atividade econômica e na inflação, entre os dados da pesquisa do IBGE.

"Este é um sinal de que a economia está se acomodando", afirmou Holland, durante o seminário sobre fluxo de capitais para mercados emergentes, promovido pelo FMI e Fazenda, no Rio. Para o secretário, a queda no desemprego não indica que esteja havendo sobreaquecimento na economia. O recuo, disse ele, além de ter sido pequeno, pode estar refletindo a rotatividade no mercado de trabalho e sazonalidade de setores específicos.

Para o economista da consultoria Tendências, Rafael Bacciotti, o recuo na renda reflete os primeiros sinais de perda de fôlego no mercado de trabalho. Isso contribuiria para um crescimento mais fraco da economia para os próximos meses. / COLABOROU FABIO GRANER

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