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Desenvolvimento de hidrovias fica aquém do esperado

Todo estudante de geografia aprende que a hidrovia é o meio de transporte mais barato em países de grandes dimensões como o Brasil. Todo estudante também sabe que o Brasil despreza suas hidrovias, apesar de ter o maior potencial hidroviário do mundo. Segundo dados de 2000, do governo federal, a navegação de interior respondia por 2% do transporte de carga do País, enquanto as rodovias respondiam por 63%. Desde então, não saíram novas estatísticas, mas o diretor do Departamento de Infra-Estrutura do Ministério dos Transportes, Luiz Eduardo Garcia, acredita que esses números não devem ter sido alterados. "Houve avanços, mas menos do que o esperado."No total, o sistema hidroviário brasileiro tem 43 mil km. De acordo com Garcia, o País aproveita comercialmente 8 mil km dos 27 mil km de vias navegáveis em condição natural. Melhorias previstas permitiram aumentar o número para 10 mil km. Segundo dados do governo, em 2000 o País transportou 22 milhões de toneladas por hidrovia (ou 31 bilhões de tonelada/km), 5,5% mais do que em 1998. Ele calcula que o País transporte hoje 25 milhões de toneladas de carga por rios, 13% a mais do que em 1998. Apesar do avanço, o número ficou abaixo da meta do Plano Plurianual de 1996-1999, que previa chegar a 31 milhões de toneladas já no fim de 1999. O objetivo do governo era chegar a 2005 transportando 70 bilhões de toneladas/km por via hidroviária, um marco absolutamente inalcançável, dadas as condições atuais.Licenciamento ambientalDe acordo com Garcia, um dos principais problemas enfrentados atualmente pelo governo federal é o licenciamento ambiental. Segundo ele, as entidades ambientalistas e ONGs entram com processos no Ministério Público e conseguem barrar a imensa maioria dos projetos. O especialista reclama que inclusive os estudos estão sendo barrados. "Fomos impedidos até de fazer o estudo de impacto ambiental da hidrovia Teles Pires-Tapajós por causa de ação de ONGs", afirma, referindo-se à via formada pelo Rio Tapajós, afluente da margem direita do Rio Amazonas, até a confluência dos rios Teles Pires e Juruena. "Isso não deveria ocorrer; o governo deveria ter liberdade para pelo menos fazer o estudo ambiental."De acordo com o governo, investimentos de R$ 2,2 bilhões em obras nas hidrovias (em eclusas e outros melhoramentos) resultariam numa economia de frete de R$ 481 milhões por ano. Isto é, o investimento se paga em cinco anos. Uma barcaça com 1.500 toneladas equivale a 15 vagões ferroviários e a 60 caminhões. O frete médio a granel em distâncias superiores a 1.200 km é de R$ 0,014 tonelada, quase um terço do rodoviário (R$ 0,037 km por tonelada). De acordo com Garcia, o transporte hidroviário é competitivo em distância acima de 1,4 mil km. Segundo ele, o sistema é essencial para baixar os custos do escoamento da sagra agrícola.

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