Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Desenvolvimento desiste de relançar política industrial

Ministério vê dificuldade na aprovação de grandes metas que dependam de mudanças legislativas por causa da crise política

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2015 | 22h37

BRASÍLIA - Com a dificuldade de se votarem reformas macroeconômicas estruturais no Congresso Nacional por causa da crise política, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) desistiu de relançar uma política industrial com grandes metas que dependam de mudanças legislativas.

Anunciada nesta terça-feira, 22, pelo ministro Armando Monteiro, o novo programa será menos ambicioso e buscará incentivar a produtividade em 3 mil empresas, principalmente pequenas e médias. “Seria um erro relançar política industrial considerando metas muito amplas. Vamos atuar nas empresas para melhorar a produtividade, com capacitação e melhoria de processos, independentemente de condições macroeconômicas.”

Para o ministro, reformas em questões “macro” como juros, tributação e burocracia são agendas importantes para o País, mas envolvem negociações de longo prazo. Enquanto isso, segundo ele, o ministério atuará dentro dessas empresas com técnicas de “manufatura enxuta”, além do fomento à inovação e às exportações. “O programa Brasil Mais Produtivo atingirá, principalmente, os setores de vestuário, moveleiro, metal-mecânico e de alimentos e bebidas.”

Em coletiva para fazer um balanço das atividades do ministério em 2015, Monteiro confirmou que a pasta mantém a previsão de superávit comercial de US$ 35 bilhões em 2016. “Alguns analistas preveem de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões de saldo, então eu vou ficar em US$ 35 bilhões, que considero um patamar razoável”, avaliou.

O ministro disse não vislumbrar uma perspectiva de recuperação do preço de commodities minerais em 2016, mas estimou que as agrícolas podem ter alguma recuperação de valor. “O que posso dizer é que com certeza haverá aumento de exportações de manufaturados em 2016, sobretudo automóveis, com os acordos automotivos e decisões da indústria mundial.”

Ele destacou a aproximação comercial do Brasil com os Estados Unidos este ano, com incremento nas exportações para o mercado americano. “Uma política comercial que não prioriza os EUA não é pragmática.

Segundo ele, 2015 se caracterizou por uma virada na balança comercial, que de um déficit de US$ 4 bilhões no ano passado deve fechar este ano com um superávit acima de US$ 17 bilhões.

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