Paulo PInto/AE
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Desequilíbrios global e fiscal são ameaças à economia mundial, diz Meirelles

Segundo presidente do BC, subvalorização do yuan é um problema grave para todos os demais países industrializados, inclusive o Brasil

Ricardo Gozzi, enviado especial da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 17h10

O desequilíbrio global e a questão fiscal de alguns países são as maiores ameaças à economia mundial nos dias de hoje. A avaliação foi feita nesta segunda-feira, 22, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em nota por escrito enviada à Agência Estado.

 

"As duas maiores ameaças para a economia mundial hoje são a questão fiscal de alguns países e o desequilíbrio global, cujos polos são os Estados Unidos e a China. Os EUA pela falta de poupança, excesso de consumo e consequente déficit em conta corrente. A China, pela alta poupança, baixa demanda doméstica e moeda subvalorizada", explica Meirelles.

 

Segundo o presidente do BC, a subvalorização da moeda chinesa, o yuan, é um problema grave para todos os demais países industrializados, inclusive o Brasil.

 

"O Brasil apoia e considera importantíssimas todas as iniciativas para a eliminação desse desequilíbrio. É importante mencionar que esse desequilíbrio, apesar de negativo, não impedirá que o Brasil continue em sua trajetória de crescimento, estimado pelo Banco Central em 5,8% para este ano, com forte aumento da produção industrial. Essa expansão econômica está sendo impulsionada pela demanda doméstica, que cresce em decorrência do aumento do emprego, da renda e do crédito", diz o presidente da autoridade monetária, na nota.

 

Durante o fim de semana, em Cancún, Meirelles observou, em conversa com jornalistas brasileiros e estrangeiros às margens 51ª Reunião Anual de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que os desequilíbrios entre Estados Unidos e China têm alguma influência sobre o Brasil, mas a diversificação da economia nacional deixou o País mais preparado para enfrentar esse tipo de cenário.

 

Questionado sobre as persistentes divergências entre Estados Unidos e China com relação a questões cambiais e comerciais, Meirelles declarou na ocasião: "Acho que estamos falando sobre desequilíbrios globais. Os dois atores mais importantes disso são os Estados Unidos e a China e estamos observando isso de perto, assim como todos estão. Esperamos que esses desequilíbrios nesses dois países sejam resolvidos com o tempo. No caso do Brasil, esses desequilíbrios têm alguma influência, mas nossa economia hoje é mais diversificada, está crescendo basicamente puxada pela demanda interna, o que significa que estamos preparados para enfrentar esse tipo de cenário. Estamos olhando isso (os desequilíbrios) com atenção, mas isso não é, necessariamente, a nossa maior preocupação neste momento, mas é um importante fator para todas as economias."

 

Meirelles esteve em Cancún durante o fim de semana para uma série de encontros fechados com banqueiros às margens reunião anual do BID.

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