Design nacional na rota dos investidores

Cinco das maiores galerias dos EUA desembarcaram no País para conhecer o trabalho de artistas locais no DW! Design Weekend

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2014 | 02h04

Pela primeira vez, cinco dos dez maiores compradores de arte e design dos Estados Unidos vieram ao País para conhecer de perto o talento brasileiro. Friedman Benda, Sebastian Barquet, Patrick Parrish, Salon 94 e Artsy embarcaram numa maratona de 20 reuniões com designers brasileiros nos últimos três dias.

"Estamos empolgados para ver as relações que poderemos criar entre Nova York e São Paulo", diz Alexandra Gilbert, especialista em design do Artsy, um site parceiro de 300 museus e de mais de 2 mil galerias que vendem peças de arte.

Alexandra e os representantes das outras galerias visitaram os designers em seus próprios locais de trabalho - desde os que atuam dentro de casa até os que possuem grandes estúdios. Sergio Fahrer foi um deles. "Achei que os americanos ficaram surpresos, tanto com os trabalhos de madeira quanto com a tecnologia usada", diz o designer mobiliário.

Entre as peças que despertaram atenção, segundo ele, estão as da linha Lino, lançada em parceria com Lino Villaventura - um dos maiores expoentes da moda brasileira.

A coleção é composta de peças de acrílico, como cadeiras, estampadas com desenhos de vestidos do estilista. Para chegar ao produto final, Fahrer afirma que usou uma tinta especial na impressão (que penetra no material) nunca antes usada em acrílico.

"Essa aproximação é uma estratégia de entrada no mercado americano", diz Lauro Andrade, presidente da Summit Promo, que promove o DW! Design Weekend, maior festival urbano de design da América Latina. A vinda dos americanos foi costurada pelos organizadores do evento e pela Apex-Brasil.

A expectativa do DW é que negócios relevantes surjam a partir desses encontros. A retomada da economia americana, que deve estimular a construção civil, fará a demanda por peças de decoração subir, na avaliação de Andrade.

Exclusividade. Ao irem a outro país, os galeristas internacionais se interessam, em geral, por peças de produção limitada. A estratégia é buscar artigos com características de obra de arte. Assim, eles podem vendê-los a preços mais elevados.

Para o designer, é uma oportunidade de "exportar" seu nome e valorizar seu trabalho. Os móveis dos irmãos Campana, por exemplo, tiveram ainda mais visibilidade com a presença na galeria Friedman Benda, de Nova York. Entre suas criações estão o armário Pirarucu, feito com a pele do peixe, e um sofá de jacarés de pelúcia.

Entre os artistas "sondados" pelos americanos estão Rodrigo Almeida e Paulo Alves. O grupo também passou por galerias e lojas, como Ovo, Tora Brasil e Decameron.

Alexandra, da Artsy, diz, no entanto, que a visita ao País não é exclusivamente para fazer compras. "Estamos aqui mais para ajudar a construir relações que podem resultar em exibições em galerias, por exemplo." Fahrer, porém, chegou a discutir valores de algumas peças com os visitantes. Seus móveis variam de R$ 2,5 mil a R$ 20 mil.

O interesse dos americanos pelos trabalhos brasileiros, para ele, é uma amostra do quanto o mercado de design do País é atraente, apesar de jovem. Os precursores desse setor no Brasil - Sergio Rodrigues e Joaquim Tenreiro, por exemplo - são da década de 1960.

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