Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Desigualdade cresce entre norte e sul do País

Indicadores da Firjan mostram que, em 2013, as diferenças no desenvolvimento aumentaram entre as regiões Norte e Nordeste e Sul e Sudeste; São Paulo tem o maior número de municípios com desenvolvimento alto ou moderado

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2015 | 17h16

RIO - Os dados da Federação Nacional das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) sobre o desenvolvimento municipal mostram um País dividido. As regiões Norte e Nordeste tinham, em 2013, quase 70% dos municípios com desenvolvimento regular ou baixo. No Sul, por sua vez, 96,8% das cidades têm desenvolvimento alto ou moderado, enquanto no Sudeste esse porcentual é de 91,5%. A avaliação inclui aspectos econômicos, educacionais e de saúde.

"Os indicadores são muito díspares. Norte e Nordeste ainda são muito carentes", nota a pesquisadora Tatiana Sanchez, chefe da Divisão de Pesquisa e Estatística da Firjan. "Mesmo entre eles existe diferença no desenvolvimento. O Norte apresenta vantagens conjunturais, em emprego e renda, mas há e carência nas áreas sociais. Já o Nordeste vai melhor social em detrimento de emprego e renda."

A edição do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2013 ainda mostrou aprofundamento da desigualdade entre as regiões, segundo Tatiana. Entre os 500 piores municípios dos 5.517 listados, 97,4% são do Norte e do Nordeste - 178 cidades, ou 35,6% do grupo, estão na Bahia.

Por outro lado, 92,6% dos 500 municípios melhores colocados no ranking são do Sul e do Sudeste. Quase metade (215 cidades, ou 43% do grupo) está no Estado de São Paulo.

"Os resultados regionais ratificam um pouco os resultados gerais. O desenvolvimento é a redução das desigualdades entre as regiões do País. Vemos o Sudeste com condições de vida muito avançadas, que se assemelham a padrões internacionais. O desafio é trazer Norte e Nordeste para esse padrão", afirma o pesquisador Guilherme Mercês, gerente de Ambiente de Negócios e Infraestrutura da Firjan.

"O ano de 2013 estancou esse desenvolvimento. A desigualdade aumentou, revertendo movimento visto nos últimos anos de aproximação entre as regiões", acrescentou o gerente. 

São Paulo. O Estado de São Paulo tem a maior parcela de municípios com desenvolvimento alto ou moderado: 99,8%. Do top 100 nacional, mais da metade (56) são municípios paulistas. Segundo a Firjan, quase todos têm alto ou moderado desempenho em saúde e 97,5% têm alto desenvolvimento em educação. Por outro lado, quase dois terços dos municípios registraram piora na área de emprego e renda em 2013.

Na capital, houve retração de 0,3% no IFDM devido à menor geração de emprego e renda no setor formal. Com isso, São Paulo recuou quatro colocações no ranking estadual e agora está na 56ª posição. 

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