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Na contramão do País, desigualdade aumentou na região Sudeste em 2014, diz IBGE

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o resultado pode sinalizar os primeiros efeitos da maior recessão econômica no País em 25 anos

Daniela Amorim, Roberta Pennafort e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 10h00

RIO - A desigualdade aumentou na região mais rica do País, o Sudeste, na passagem de 2013 para 2014. No total do País, o cenário foi melhor, pois diminuiu a distância entre os mais pobres e os mais ricos na distribuição de renda. O rendimento seguiu crescendo, embora a alta tenha perdido fôlego em 2014, quando a economia começou a entrar na recessão que se aprofunda neste ano. 

O cenário está traçado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2014), divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE).

O Índice de Gini, que mede a distribuição da renda, melhorou no País como um todo, porque os 20% que ganham menos tiveram aumento no rendimento, enquanto os 10% que ganham mais tiveram redução. O indicador passou de 0,495 em 2013 para 0,490 em 2014, mantendo a trajetória decrescente iniciada em 2004. Na escala do índice, quanto mais perto de 1,0, pior é a distribuição da renda e quanto mais perto de zero, melhor.

"A queda (no Índice de Gini) se deu porque houve alta nos rendimentos mais baixos e queda nos rendimentos mais altos", afirma Maria Lúcia Vieira, gerente da Pnad.

Conforme o IBGE, o rendimento médio do trabalho em 2014 ficou em R$ 1.774,00, alta real de 0,8% em relação a 2013. Maria Lúcia chamou atenção para o fato de o incremento anual do rendimento vir perdendo fôlego ano a ano. Em 2012, o crescimento da renda em relação ao ano anterior foi de 5,5% e, em 2013, de 3,9%.

"Aquele ganho de rendimento que se observava, não se observa mais", diz Maria Lúcia, referindo-se ao boom da renda na primeira década do século. 

Entre os 10% que ganham menos, o rendimento médio foi de apenas R$ 256,00, mas a alta real ante 2013 foi de 4%, acima da média. Já entre os 10% mais ricos, cujo rendimento médio foi de R$ 7.154,00, houve queda real de 0,43% em relação a 2013 - entre o 1% mais rico, cuja renda média é de R$ 20.364,00, a queda foi maior, de 3,42%. 

Na contramão do País, o Sudeste viu a desigualdade aumentar em 2014. O resultado pode sinalizar os primeiros efeitos da recessão econômica aprofundada neste ano, a maior em 25 anos.

"O que a gente viu no Sudeste é que houve aumento em todos os décimos de rendimento, exceto no mais baixo", afirma Maria Lúcia. 

Na região mais rica do País, os 10% mais pobres tiveram renda média do trabalho de R$ 430,00 em 2014, 0,7% abaixo de 2013. Na média, os trabalhadores que moram no Sudeste tiveram renda de R$ 2.037,00, 2,5% acima de 2013. Com isso, o Índice de Gini local cresceu 0,7% no período, passando de 0,475 para 0,478.

Edição 2015. No ano que vem, o IBGE divulgará a última edição da Pnad anual, referente a 2015. A coleta de dados está atualmente em campo. Há pelo menos dois anos o IBGE vem prometendo extinguir a Pnad anual. A pesquisa será substituída pela Pnad Contínua, que já apresenta mensalmente indicadores sobre o mercado de trabalho. 

Ano passado, o instituto esteve envolvido em uma polêmica, após a divulgação da Pnad 2013. Um erro em dados da pesquisa levou a uma suposta melhora nos números do analfabetismo e piora nos de desigualdade. O engano foi assumido e corrigido pelo IBGE no dia seguinte à divulgação. 

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