Desigualdade cresce, mas tecido social se mantém, diz OCDE

A disparidade entre ricos e pobres cresceu na maioria dos países ricos, mas não tão rápido quanto imaginavam alguns, e não a ponto de ameaçar o tecido social, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório divulgado na terça-feira. O grupo, que reúne 30 países, disse que os governos estão contrabalançando as disparidades com aumento de impostos e de gastos sociais. Segundo os últimos dados da OCDE, a Dinamarca tem a menor taxa de desigualdade, um pouco à frente da Suécia, enquanto o México tem a pior, seguida pela Turquia. "O aumento da desigualdade, embora disseminado e significativo, não foi espetacular como a maioria provavelmente acha que foi", disse o estudo, de 309 páginas. "Esta diferença entre o que os dados mostram e o que as pessoas pensam sem dúvida reflete parcialmente o chamado 'efeito revista Hello'", diz o texto, explicando que as pessoas lêem sobre os super-ricos e amplificam esse fenômeno. Nos 24 países da OCDE onde há dados disponíveis, o aumento cumulativo da disparidade, entre meados da década de 1980 e meados dos anos 2000, ficou em torno de 7 por cento. O crescimento foi mais expressivo até meados da década de 1990. O relatório diz que tal aumento "não justificaria que se fale no colapso da sociedade", mas que a intervenção dos governos tem ajudado a controlar a disparidade. "Nos países desenvolvidos, os governos têm taxado mais e gastado mais para contrabalançar a tendência a mais desigualdade. Eles agora gastam mais em políticas sociais do que em qualquer outro momento da história." Os mais velhos (55 a 75 anos) são quem mais se beneficiam da redistribuição de riqueza. Nas últimas décadas, e em muitos lugares está caindo a taxa de pobreza entre aposentados. Já a pobreza infantil cresceu e agora está acima da média geral, "apesar das crescentes provas de que o bem-estar infantil é um determinante-chave de quão bem alguém ficará como adulto, quanto vai ganhar, quão saudável será". O relatório diz que a desigualdade em geral cresceu significativamente desde 2000 em Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia, e teve redução notável na Grã-Bretanha, no México, na Grécia e na Austrália.

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