Desigualdade cresceu mais nos países ricos após a crise global

Espanha lidera tendência, apenas sete países entreos 30 pesquisados pelaOCDE registraramredução nas diferenças

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE/LONDRES, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2014 | 02h02

Enquanto alguns países comemoram que o pior da crise ficou para trás, um dado mostra que os efeitos do período após 2008 são profundos e será preciso mais tempo para superá-los. Pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada ontem mostra que a desigualdade de renda nos países desenvolvimento aumentou desde 2007. A Espanha liderou o processo de piora da desigualdade.

O estudo alerta que, enquanto governos têm dedicado atenção à recuperação da atividade, a desigualdade socioeconômica piorou nos últimos anos. "A distribuição de renda continua a ser significativamente mais desigual do que era antes", destaca o documento da OCDE - um grupo de 34 nações, sendo a maioria economias desenvolvidas.

Termômetro. A entidade usou o Índice de Gini - indicador que calcula a diferença de renda em uma sociedade e varia de zero a um. A leitura zero indica que todos têm o mesmo salário e o indicador em um mostra que uma só pessoa tem toda a renda disponível. Quanto maior o índice, pior é a distribuição de renda. Na média dos países da OCDE, o índice de Gini para a renda de mercado passou de 0,461 em 2007 para 0,476 em 2011.

Entre os países, as economias que estiveram no centro da crise na Europa foram aquelas que registraram deterioração mais evidente. A Espanha liderou o movimento e o indicador passou de 0,445 para 0,520. A elevação do indicador é resultado especialmente do aumento do desemprego, o que impulsionou a diferença de renda entre os que têm e não têm ocupação. Em igual tendência, mas com movimento menos intenso, apareceram Irlanda e Grécia.

"Na Espanha e Grécia, a desigualdade cresceu consideravelmente no rescaldo da crise e continuou crescendo recentemente com a persistência da crise", diz o relatório. De 30 países analisados, 7 tiveram queda na desigualdade na renda de salários e capital: Polônia, Israel, Austrália, Holanda, Chile, Coreia do Sul e Nova Zelândia.

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