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Desmanche verde

Aumentam as pressões sobre os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bonds) e sobre o dólar.Quinta-feira, uma das mais importantes agências de classificação de risco, a Standard & Poor?s (S&P), avisou que a qualificação dos títulos de dívida da Inglaterra está na iminência de ser rebaixada. O mercado entendeu que o verdadeiro destinatário do recado não está em Londres; está no outro lado do Atlântico.Como reflexo dessa preocupação, na sexta-feira os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, de 10 anos, despencaram a seu nível mais baixo desde junho de 2008. O gráfico mostra como o dólar está se desvalorizando diante do euro, do franco suíço e do real.Só para recordar, as agências de classificação de risco encarregam-se de examinar, para os investidores, a qualidade de um documento de dívida. O que procuram avaliar é o tamanho do risco de que um título deixe de ser honrado. A S&P não está dizendo que o Tesouro inglês vai passar calote. Está só avançando que, diante das cada vez mais precárias condições das finanças públicas da Inglaterra, começa a haver risco de que isso aconteça.Há seis dias, os títulos do Japão foram rebaixados pela agência Moody?s e a situação fiscal da maioria dos países da União Europeia desperta grandes preocupações. Mas o problema mais grave é a saúde precária do dólar e dos ativos a ele atrelados.O que se pergunta em última instância é se, em alguns anos, os Estados Unidos terão capacidade de pagar suas contas. Os T-Bonds têm prazo de até 30 anos e nesse tempo muita coisa pode acontecer. A dívida americana em títulos ultrapassa os US$ 11 trilhões. Destes, US$ 6,4 trilhões são negociáveis no mercado. A dívida não mobiliária, correspondente aos compromissos com seguro-saúde (Medicare) e com assistência social, saltou para US$ 45 trilhões. Neste ano, o rombo orçamentário (diferença a menor entre o que o Tesouro americano arrecadará e a despesa prevista) é de US$ 1,84 trilhão, volume que tende a aumentar pelo menos nos dois próximos anos.Até agora, dizia-se que os Estados Unidos detêm o controle da impressora de dólares e que, em último caso, bastaria que seguissem emitindo. Além disso, não há no Planeta nenhum ativo que possa ocupar o lugar do dólar. A volta ao padrão-ouro é fisicamente impossível: não há ouro em quantidade suficiente para substituir o dólar. Se, apesar disso, a decisão fosse restabelecer essa condição, o grama de ouro, que hoje vale cerca de US$ 35, saltaria mais de US$ 1 mil. A falta de substituto para o dólar é tal que a cada surto de pânico é ainda a ele que os agentes financeiros recorrem. Mas a confiança nessa moeda vai sendo questionada todos os dias, não mais só por comentaristas econômicos e analistas de mercado. O governo da China, que detém quase US$ 2 trilhões em reservas, das quais a maioria é em valores plugados ao dólar, começa a reivindicar a criação de nova moeda internacional de reserva.Embora seja inevitável que o dólar perca hegemonia, nada é inexorável. Bastaria uma década de recuperação da economia americana e de austeridade fiscal do setor público para que boa parte das referências antigas seja restabelecida. Mas, por enquanto, não é o que se vê.O risco de que a solidez do dólar desmanche no ar mostra que é preciso ter cuidado extra com as reservas brasileiras. De que adianta seguir empilhando dólares se um dia passarem a valer uma fração do que valem hoje?E há a advertência de sempre: boa parte da valorização do real nada tem a ver com a excelência da economia brasileira; tem a ver com os desarranjos do dólar.

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