Ueslei Marcelino/Reuters
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Desmatamento ilegal é um ‘ruído’ na transformação ambiental do Brasil, dizem empresários

CEOs da Bayer e da Suzano demonstraram como o País poderia gerar renda com o carbono não emitido na Amazônia; painel foi promovido pela Fundação FHC e pela Amcham

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 15h00

A urgência para o fim do desmatamento ilegal na Amazônia foi o centro da discussão do painel “Envolvendo a cadeia na solução: Clientes e Fornecedores”, realizado nesta quarta-feira, 21, pela Fundação FHC e a Câmara Americana de Comércio (Amcham). Rodrigo Santos, CEO da divisão Crop Science para América Latina da Bayer, e Walter Schalka, CEO da Suzano, convidados para o evento, concordaram que o Brasil pode fazer uma “nova reinserção na geopolítica internacional e se tornar uma potência sustentável”.

No entanto, o País precisa eliminar a exploração ambiental. Para isso, Schalka cita dois pontos importantes: o cumprimento do Código Florestal na sua totalidade e a rastreabilidade, ou seja, a fiscalização das ações de empresas e produtores. “Essas duas coisas combinadas resolvem, inclusive, a nossa imagem no exterior para atrair investimentos”, diz.

De acordo com ele, se o Brasil zerasse o desmatamento ilegal da Amazônia, “que representa 97% do total", poderia gerar US$ 10 bilhões por ano, por meio da monetização do carbono não emitido na região, que poderiam ser usados para resolver problemas locais. Para Schalka, o Brasil precisa de uma “revolução ambiental” que seja utilizada para a criação de emprego e renda.

Rodrigo Santos, da Bayer, cita uma ação da sua empresa que tem justamente esse foco: a redução da emissão de carbono ou, como o próprio diz, a “descarbonização” dos processos de produção, e a ajuda a pequenos produtores. Em parceria com a Embrapa, a Bayer auxilia 400 agricultores, com uma série de recomendações e práticas sustentáveis na agricultura, para demonstrar que é possível “sequestrar” carbono dos seus processos e vender os créditos para o mercado internacional. “O grande objetivo é demonstrar que, com isso, o agricultor vai manter o carbono no solo, que é uma grande reserva, e conectá-lo com as empresas ao redor do mundo que compram esse crédito de carbono”, explica Santos.

O CEO da Bayer ressalta a importância do desenvolvimento da agricultura 4.0 - conjunto de tecnologias digitais que geram dados e ajudam o produtor rural na tomada de decisões no dia a dia no campo - para ter transparência, mensuração e certificação confiável do carbono e dos processos de produção. Só assim, segundo ele, será possível estabelecer parcerias para regular adequadamente o mercado do carbono, principalmente no que se refere à precificação. “Nós temos competência, tecnologia, inovação para fazer com que isso venha para o Brasil e esse futuro passa por uma conexão internacional”, afirma.

Ele destaca também a importância de se trabalhar conjuntamente: setor privado, sociedade civil e Estado. “Isso tem um papel fundamental na percepção sobre o Brasil lá fora, que é bastante equivocada. Precisamos resolver o desmatamento ilegal, um ruído que precisa acabar, porque contamina todo o restante, e dialogar com o mundo de uma maneira muito clara. É uma oportunidade de unir essas duas potências [agrícola e ambiental] para criar uma vantagem competitiva para o Brasil.” O CEO da Suzano complementa que “temos de sair da polarização do País para construirmos pontes para o futuro”.

Os empresários acreditam que o Brasil tem total condição de aliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade - elementos que, segundo eles, não são antagônicos. “O País pode ser uma potência agrícola no mundo e, ao mesmo tempo, uma potência ambiental”, disse Schalka. Para ele, essa é uma jornada que todas as empresas precisam fazer “agora”. “A nossa responsabilidade para com as próximas gerações é intransferível e imediata. Não vamos esperar o próximo fazer.”

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