Coluna

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Desmistificando a redução do spread

Análise: Samy Dana e Miguel Bandeira

O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h09

Nas últimas semanas, o governo iniciou verdadeira cruzada com o objetivo de reduzir as taxas de juros na ponta final do empréstimo. Já era hora, uma vez que o Brasil possui o segundo maior spread do mundo, ficando atrás apenas da simpática ilha de Madagascar.

De fato, o spread começou a cair com os cortes de juros pelo Banco do Brasil e pela Caixa, que logo foram seguidos pelos demais bancos. Porém, a história revelada pelos jornais nos últimos tempos não parece nem tão simples nem tão clara.

O que o governo talvez não tenha levado em conta ao tomar essa medida é a enorme capacidade que os bancos têm de criar subterfúgios para continuar a praticar as altas taxas de juros e proteger a sua lucratividade.

Um dos artifícios mais comuns em publicidade, frequentemente utilizado nas sensacionais promoções é a nota de rodapé. Os astutos publicitários dos bancos anunciam apenas as novas taxas mínimas, com notas de rodapé em letras quase imperceptíveis a olho nu que desmistificam o milagre da redução.

Algumas dessas minúsculas notas revelam que o milagre dos juros baixos só vale para uma pequena porcentagem. Mais especificamente para quem tem conta há X anos, boa relação, ser de certo signo, entre outras.

Quem for pedir um tipo de financiamento deve atentar para o custo efetivo da dívida. Sempre que o consumidor se sentir lesado deve procurar seus direitos. A melhor maneira de enfrentar esses subterfúgios e artimanhas publicitárias é com informação e, sobretudo, com educação financeira.

SAMY DANA É PHD EM FINANÇAS E PROFESSOR DA FGV-EESP. MIGUEL BANDEIRA É GRADUANDO EM ECONOMIA PELA FGV-EESP E CONSULTOR

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