Desoneração deve ter pouco efeito para consumidor de padaria

Para setor, benefício fiscal não terá impacto sobre 95% das padarias, que são tributadas pelo Super Simples

Milton F.da Rocha Filho, da Agência Estado,

15 de maio de 2008 | 14h34

Ainda não é possível saber se as medidas de desoneração fiscal anunciadas na quarta-feira vão beneficiar o consumidor final das padarias, afirmou nesta quinta o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação de São Paulo, Antero Pereira. Veja também:Se preço do pão não cair, governo não prorrogará benefíciosGoverno anuncia medidas e preço do pão francês pode cair A explicação, conforme citou o diretor da Associação Brasileira de Panificação (ABIP), Luiz Carlos Xavier Carneiro, é o fato de que a desoneração do PIS/Cofins não tem impacto sobre 95% das padarias, que tributariamente estão ligadas ao regime do Super Simples, onde há a cobrança apenas da alíquota única sobre a receita. "Apenas 5% das padarias seriam beneficiadas pelas novas medidas", estima Carneiro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na quarta a suspensão, até o fim do ano, da cobrança do PIS e da Cofins sobre o pão francês, o trigo e a farinha de trigo. Também ficará suspensa até o fim de 2008 a cobrança do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante nas importações de trigo. E será prorrogado até 31 de agosto o prazo de importação do trigo in natura com tarifa zero, medida aprovada pela Câmara de Comércio Exterior. O pacote de medidas, contudo, deve ajudar os moinhos, na avaliação de Pereira. Ele acredita que, antes de chegar às padarias, a suspensão do PIS/Cofins no preço da farinha pode causar uma redução no preço de 9,5%. A queda permitiria que os importadores mantivessem um preço para os padeiros ao redor do atual - de R$ 90,00 a 93,00 a saca de 50 quilos de trigo -, espera Pereira. Além da questão de 95% das padarias estarem ligadas ao Super Simples, Pereira também citou que 40% do preço do pão é formado pelo custo da farinha de trigo, enquanto os outros 60% são gerados pelo sal, pelo pagamento da folha salarial, pela embalagem, aluguel e energia elétrica. De acordo com a ABIP, há hoje no País 52 mil padarias formais, que empregam 600 mil trabalhadores.

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