Despacho de térmicas puxa consumo recorde de gás em janeiro

O consumo de gás natural nopaís abriu o ano aquecido, após uma crise no final de 2007 quecolocou sob suspeita a capacidade de abastecimento do mercado.Puxado pelas termelétricas, o consumo médio foi recorde em 47,5milhões de metros cúbicos por dia, 1,81 por cento acima dedezembro. Segundo dados divulgados na sexta-feira pela AssociaçãoBrasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado(Abegás), o setor industrial foi o que mais demandou ocombustível, somando média de 25,9 milhões de metros cúbicospor dia, alta de 3,55 por cento contra dezembro e de 10,29 porcento contra janeiro de 2007. As termelétricas ficaram em segundo lugar mas apontarammaior crescimento, com demanda média de 12 milhões de metroscúbicos diários, ou 17,25 por cento a mais que em dezembro. Emrelação a janeiro de 2007 esse consumo cresceu 131,23 porcento, puxando para cima o consumo geral, informou a Abegás. Já os segmentos automotivos, residencial e comercialtiveram retração no consumo, de 9,7 por cento, 18 por cento e7,1 por cento, respectivamente. O uso de gás para co-geração deenergia despencou 34,3 por cento. A região Sudeste representou 32,8 milhões do consumo total,ou 70 por cento da média nacional. O consumo de gás natural vem apresentando crescimento de 20por cento ao ano desde 1998, quando o país demandava 10,9milhões de metros cúbicos diários. No ano passado, a médiadiária foi de 38,5 milhões de metros cúbicos. A Abegás informou ainda que os gasodutos de distribuição noBrasil hoje somam 15.967 quilômetros de extensão e atendem a1.361.875 clientes. Em 2003, a rede de gasodutos era de 9.356quilômetros. Segundo o presidente da Abegás, Armando Laudorio, apesar dofantasma da crise energética desenhada no final do ano passadonão ter se concretizado, o momento seria favorável aolançamento de uma campanha de racionalização de energia."A racionalização do uso somada a um planejamento energético delongo prazo seriam soluções ideais para evitar situações como aocorrida em 2007, quando foi reduzido o envio de gás para SãoPaulo e Rio de Janeiro", afirmou em um comunicado. No final de outubro, a Petrobras se viu obrigada a reduziro envio de gás natural a alguns clientes para atender àstermelétricas, após determinação do Operador Nacional doSistema (ONS) de aumentar o despacho de energia dessas usinasdevido ao período mais seco no país. A estiagem reduziu ovolume dos reservatórios das hidrelétricas. Mesmo após os reservatórios se normalizarem, com as chuvasde janeiro, o ONS decidiu manter as térmicas ligadas paragarantir o pleno volume dos reservatórios e assegurar oabastecimento de energia no médio prazo, o que recebeu o apoioda Abegás.(Reportagem de Denise Luna)

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