Daniel Teixeira/AE-15/4/2011
Daniel Teixeira/AE-15/4/2011

Despenca criação de empregos formais

Caged aponta a criação de 65,2% menos vagas em março ante o mesmo mês de 2012; para ministro, queda se deve a efeitos sazonais

Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

O ritmo de criação de empregos com carteira assinada no País despencou em março, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.

No mês, foram criadas 92.675 vagas formais, desempenho 65,2% inferior ao de março do ano passado, quando foram gerados 266.415 postos de trabalho, sem levar em consideração as declarações entregues fora do prazo pelas empresas. O mês teve recorde de demissões, com 1,673 milhão, enquanto as admissões chegaram a 1,765 milhão, terceiro melhor desempenho da série.

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a menor geração de vagas formais em março se deveu em parte à antecipação de contratações em fevereiro e ao carnaval, que reduziu a quantidade de dias úteis no mês. Além disso, o fim da safra da cana-de-açúcar no Nordeste teria acelerado os desligamentos.

Segundo ele, a perda de ritmo na geração de postos de trabalho com carteira assinada não reflete uma desaceleração da economia e, por isso, o resultado do Caged em abril deverá ser bastante forte. "Acho que abril vai ser bastante positivo, superior ao resultado de março", disse o ministro. "Em primeiro lugar, porque não teremos outro carnaval, com a economia dez dias quase paralisada. Além disso, o comércio deve voltar a crescer e o fim das chuvas em algumas regiões também deve impulsionar a construção civil", completou.

O efeito sazonal nos números do Caged de março foi destacado pela economista-chefe da Rosenberg Consultores, Thaís Zara (ver entrevista abaixo).

Trimestre. Segundo Lupi, a meta de criação de 3 milhões de empregos formais em 2011 está mantida, apesar de o resultado do primeiro trimestre ter sido menor que o do mesmo período de 2010. "Os ciclos (econômicos) nos próximos trimestres devem compensar esse resultado."

Com as declarações entregues fora do prazo, o resultado do primeiro bimestre passou a 491.211. Dessa forma, no acumulado do primeiro trimestre de 2011 foram geradas 583.886 vagas formais, resultado também inferior às 657.259 vagas criadas no mesmo período de 2010.

O setor de serviços liderou a criação de vagas formais no mês, com 60.309 postos, seguido pela indústria de transformação, com 14.448. A agricultura foi responsável por 11.400 postos de trabalho, enquanto a administração pública gerou outras 4.268 vagas. Já o comércio registrou queda, fechando 3.817 postos.

A Região Sudeste foi a que mais gerou postos de trabalho com carteira assinada em março, com 75.208 vagas. Em segundo lugar, veio a Região Sul, com 35.734 empregos. A Região Centro-Oeste foi responsável pela criação de 10.551 vagas, enquanto o Norte gerou 2.831. Já o Nordeste fechou 31.649 vagas.

Copom. Na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, Lupi aproveitou a divulgação do Caged para criticar o ciclo de aumento dos juros básicos da economia para combater a inflação. "Taxas de juros mais altas favorecem o capital especulativo e prejudicam o capital produtivo, inibindo investimentos. Então sempre a alta de juros inibe a criação de empregos no País."

Perguntado se o Copom deveria aumentar novamente a Selic hoje, Lupi disse que torce para que isso não ocorra, apesar de achar que os juros serão de fato revisados para cima. "A inflação não é esse diabo que muita gente fala. Temos de combatê-la, mas não podemos matar a nossa galinha dos ovos de ouro que é o crescimento da economia."

PARA ENTENDER

As disparidades verificadas nos dois levantamentos divulgados ontem sobre o mercado de trabalho - Caged e PME do IBGE - devem-se às diferenças de metodologia.

No Caged, as empresas de todo o Brasil informam ao governo as admissões, demissões ou transferências de empregados que tenham carteira de trabalho assinada.

Já na pesquisa do IBGE, o levantamento é feito por pesquisadores, que vão a campo coletar as informações sobre o emprego formal e informal em seis regiões metropolitanas. "As duas pesquisas mostraram geração de emprego, o Caged menos que a PME,porque são dois universos completamente distintos", disse José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio.

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