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Despesa com juros é a mais baixa desde 2001

BRASÍLIAO efeito da queda da taxa básica de juros, a Selic, no gasto do governo com juros começa a ficar mais evidente. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que essa despesa paga aos credores da dívida pública somou R$ 150,93 bilhões no acumulado de 12 meses até julho. O gasto, que corresponde a 5,11% do Produto Interno Bruto (PIB), é o mais baixo da série histórica iniciada em 2001. Mesmo assim, isso não evitou a piora dos resultados fiscais.Ao anunciar os dados, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, comemorou a redução da despesa e reafirmou a aposta de que o gasto deve cair ainda mais nos próximos meses. "A flexibilização da política monetária ainda não se refletiu completamente nessa despesa", afirmou.Atualmente, o juro básico da economia está em 8,75% ao ano, no mais baixo patamar da história brasileira. A queda, no entanto, demora a aparecer no gasto com juros porque a dívida é corrigida conforme a Selic passada. Por isso, o juro acumulado nos 12 meses até julho é superior ao patamar da taxa corrente, de 12,1%. "Com esses números, é possível imaginar o efeito ainda maior sobre o juro de quando a Selic acumulada chegar aos 8,75%", afirmou Altamir.O economista da Tendências Consultoria Felipe Salto avalia que o afrouxamento da política monetária tem ajudado a evitar uma deterioração mais acentuada das contas públicas, mesmo em um cenário de superávit primário menor. Segundo ele, a queda nos juros favorece as contas públicas, mas não pode ser usada como argumento para se gastar mais. "O espaço que tinha já foi utilizado pelo governo", afirmou Salto.O gasto menor com juros amenizou parcialmente as contas do governo, que têm sofrido com a queda da arrecadação de impostos. Mesmo assim, o resultado nominal - que leva em conta o pagamento de juros - terminou o período de 12 meses com falta de caixa de R$ 98,84 bilhões, o chamado déficit nominal. O valor equivale a 3,35% do PIB, o pior resultado desde dezembro de 2006.Como o esforço fiscal foi insuficiente para pagar toda a despesa com juros e houve valorização de 4% do real ante o dólar (fato que diminui o valor dos ativos do governo, como as reservas internacionais), a dívida líquida do setor público cresceu mais uma vez. Em julho, o endividamento correspondia a 44,1% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 43,2% no mês anterior. O indicador da dívida está no maior patamar desde outubro de 2007.

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

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