Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Desta vez, parece que funcionou

ANÁLISE: Paulo Fernando Fleury

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2013 | 02h15

Após uma serie de frustrações e resultados questionáveis nos leilões de concessão de rodovias, aeroportos e exploração de petróleo, pode-se afirmar que este segundo leilão de aeroportos foi um sucesso. O número de propostas, o porte dos concorrentes, o ágio oferecido e participação de investidores com experiência acumulada, nos levam a esta conclusão.

Vários fatores contribuíram para o sucesso deste leilão. O primeiro tem a ver com as características operacionais do setor aeroportuário. Dado que os aeroportos estão confinados em um determinado município e seu entorno, os riscos de interferência política ao longo dos contratos tendem a ser menores que em outros modais como, por exemplo, o rodoviário e o ferroviário.

Os casos do Paraná, durante um dos governos do atual senador Roberto Requião (fechamento de praças de pedágio) e a recente ameaça de parlamentares do Espírito Santo (de não permitir a cobrança de pedágio no seu território) são exemplos marcantes desse tipo de risco.

Um segundo fator que contribuiu, em muito, para aumentar a atratividade dos investimentos em aeroportos, é o enorme crescimento da demanda por viagens aéreas, tanto no Brasil quanto no exterior. Um terceiro fator que merece ser destacado é a enorme oportunidade para reduzir custos, aumentar a produtividade, e expandir a receita. Uma melhor capacitação gerencial, a existências de claros incentivos relacionados ao desempenho, e uma melhor exploração comercial de espaços dos terminais de passageiros geram grandes oportunidades para aumento da receita, sem necessariamente ter de aumentar as tarifas dos passageiros e das empresas de aviação.

Um aspecto que não podemos ignorar é o aprendizado obtido pelo governo e pelos potenciais investidores nos outros leilões de concessão. Apesar dos vários aspectos positivos observados no último certame, não podemos nos acomodar e achar que encontramos a solução ideal para novas concessões. Como informado anteriormente, sob o ponto de vista de potenciais investidores, o setor aeroportuário é o que oferece os menores riscos técnicos e políticos, quando comparado com os setores rodoviários e ferroviários.

Basta lembrar que até hoje, quase dois anos depois do início das conversações sobre o novo marco regulatório das ferrovias, ainda não existe um edital na rua. A principal razão para o atraso é o novo modelo de concessão, bastante complexo na sua implementação e pouco conhecido no Brasil e no exterior. Além disso, não podemos ignorar o importante fator "falta de confiança"no governo, por parte dos potenciais investidores. Organizar "road show" no exterior em nada vai contribuir para a recuperação da confiança dos investidores, se na volta ao Brasil continuar prefixando a taxa de retorno e reclamando publicamente destes mesmos empresários, rotulados de ganancioso e gulosos.

DIRETOR-GERAL DO INSTITUTO ILOS

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