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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Destino da Varig será conhecido até terça-feira

A Varig enfrenta, a partir de amanhã, as 48 horas mais cruciais dos seus 79 anos de existência. Nesta segunda-feira, o juiz Luiz Roberto Ayoub, que conduz o processo de recuperação judicial da Varig, receberá as informações requisitadas sobre a oferta de compra dos Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) e decidirá se aprovará ou não a proposta.A decisão, contudo, poderá ficar para terça-feira, mesmo dia da audiência na Corte de Nova York que analisará pedidos de arresto de aviões da empresa brasileira. O fato é que a Boeing obteve na Justiça americana o direito de retomar sete aviões da Varig. Hoje, o advogado Otávio Neves, que representa o TGV, ameaçou hoje processar a Alvarez&Marsal (reestruturadora) e a Deloitte (administradora judicial) na Justiça. Segundo Neves, o questionamento feito na sexta-feira passada pelas duas consultorias, o que provocou o adiamento da decisão do juiz Ayoub, está atrasando a homologação do leilão e estaria provocando prejuízos ao TGV e aos investidores que fazem parte do consórcio, mas cujos nomes não foram revelados."Decidimos que vamos processar os responsáveis pelos prejuízos e perdas com a demora do processo", disse Neves, em entrevista coletiva, convocada no começo da noite. Ainda assim, o advogado disse que os termos da proposta serão ratificados amanhã, que as informações solicitadas serão prestadas e que acredita numa aprovação do negócio. Ele diz existirem quatro investidores no consórcio, mas o edital não o obriga a divulgar os nomes.O TGV foi o único a formalizar uma proposta no leilão que aconteceu na quinta-feira no valor de US$ 449 milhões (R$ 1,010 bilhão), que é quase metade dos US$ 860 milhões avaliados pelos organizadores para a venda da Varig, como preço mínimo para a operação, incluindo operações internacionais e domésticas. Na primeira etapa do leilão, quando o valor mínimo deveria ser obedecido, nenhuma proposta foi apresentada. Na segunda etapa, sem preço mínimo, o TGV fez sua proposta.Possível falênciaCaso a proposta seja rejeitada pelo Justiça, a TGV recorrerá da decisão. Mas, independentemente disso, se a proposta do TGV for rejeitada, a falência da Varig pode ser decretada - a não ser que surja uma terceira possibilidade.Fontes que acompanham o assunto analisam que o mais provável, no caso de rejeição da proposta, seria a decretação de uma "falência continuada", na qual a empresa continuaria operando precariamente, com venda dos ativos existentes até o fim das atividades ou até que surja, eventualmente, uma outra alternativa. Há, contudo, divergências sobre este assunto.A possível decretação da "falência continuada" foi levantada por pelo menos três executivos, dentro e fora da empresa. Daria mais tempo a credores, empregados e à própria empresa e seria menos traumática. Para um advogado, contudo, por ser uma concessionária de transporte aéreo a empresa poderia perder imediatamente seus direitos de vôo, no ato da decretação da falência, o que inviabilizaria a continuidade, ainda que precária, da atividade.Cancelamento de vôos irrita passageirosEm entrevista ao Estado, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, disse nesse fim de semana que "não pode desacreditar" da proposta feita pela TGV e comentou que é preciso aguardar a decisão da Justiça. Informou, ainda, que já está negociado com a Boeing que a eventual devolução dos jatos alugados pela empresa seria apenas a partir de terça-feira. Enquanto isso, cancelamentos de vôos da empresa, motivados por problemas técnicos, irritaram os passageiros da empresa nesse fim de semana. A empresa cancelou um vôo ontem para Buenos Aires, a partir do aeroporto de Guarulhos, e suspendeu cinco vôos que estavam previstos durante o dia na Ponte Aérea Rio-São Paulo por conta de panes técnicos em duas aeronaves.Problemas técnicos, ainda segundo a empresa, também atrasaram em três horas partidas previstas de Guarulhos para Lima, México e Bogotá na manhã de ontem e motivaram, ainda, um cancelamento, na madrugada de ontem, de um vôo que partiria de São Paulo para Nova York.O balanço foi feito pela companhia aérea ontem no início da tarde. Segundo a Varig, o que ocorreu ontem foi um ?movimento normal da aviação, com cancelamentos e reprogramações de vôos?. No aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, quatro vôos internacionais foram cancelados no final da tarde de ontem - Londres, Buenos Aires, Los Angeles e Lima - e mais três vôos domésticos.Os problemas se acentuaram a partir da madrugada de sábado. O vôo 8864, com destino ao Aeroporto JFK, em Nova York, foi cancelado pela direção de operação da Varig enquanto fazia o taxiamento na pista do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. Com isso, 263 passageiros retonaram foram obrigados a descer do avião. A Varig encaminhou os passageiros para diversos hotéis no centro de São Paulo.

Agencia Estado,

11 de junho de 2006 | 20h15

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