André Dusek|Estadão
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Destroços de avião do Bradesco ficaram soterrados

Estavam a bordo da aeronave que explodiu dois executivos do Bradesco, Lúcio Flávio Condurú de Oliveira e Marco Antonio Rossi

Tânia Monteiro e Daniel Carvalho, enviado especial a Guarda-Mor, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2015 | 22h10

Peritos enfrentam uma série de dificuldades para resgatar corpos e destroços do jato de propriedade do Bradesco que caiu na noite de terça-feira, 10, em uma fazenda isolada na zona rural do município mineiro de Guarda-Mor, a 551 quilômetros (km) de Belo Horizonte, na divisa com Goiás.

Além de a explosão da aeronave ter espalhado ferro e plástico retorcidos em um raio de 500 metros, parte da fuselagem está soterrada e foi necessário uma escavadeira para revolver a terra na busca de evidências. Até o final da tarde, a caixa de voz com as gravações das conversas entre o piloto e copiloto não havia sido localizada. Os trabalhos, que seriam interrompidos ao anoitecer por causa da falta de iluminação, devem ser retomados na manhã de hoje. Não há prazo para o fim das investigações.

O jato Citation 7, de matrícula PT-WQH, com capacidade para oito passageiros, decolou de Brasília às 18h39, em direção a São Paulo, mas sumiu dos radares do controle do tráfego aéreo às 19h04. Estavam a bordo o presidente do Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio Condurú de Oliveira, o presidente da Bradesco Seguros, Marco Antonio Rossi, e dois tripulantes, o piloto Ivan Morenilla Vallim, e o copiloto Francisco Henrique Tofoli Pinto. Os representantes do Bradesco estiveram em Brasília para reunião com o ministro da Casa Civil, Jacques Wagner, e com o secretário executivo do ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy.

O avião caiu numa área de pasto da Fazenda Chapadão. Para chegar ao local em que não é possível qualquer comunicação por celular, é preciso percorrer 34 km de estrada de terra.

Peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) só chegaram à fazenda na manhã desta quarta-feira, 11. Junto com peritos da Polícia Civil, passaram o dia debaixo de sol forte tentando montar o quebra-cabeça de pequenos fragmentos de fuselagem. Nas primeiras horas de trabalho, foram encontrados pedaços da asa e da cauda do avião.

O impacto da explosão foi tão forte que formou uma cratera de 22 metros por 10 metros de largura e cinco metros de profundidade. No entanto, destroços ficaram soterrados a dois metros de profundidade e foi preciso usar uma escavadeira. O avião caiu ainda com tanque cheio, o que ficou evidente para a perícia pelo raio de pasto queimado no entorno do grande buraco devido ao combustível que se espalhou.

Depois de dificuldades de comunicação, o delegado regional de Paracatu (MG), Edson Morais, conseguiu trazer um caminhão do Instituto Médico Legal (IML) de Patos de Minas para transportar os fragmentos dos corpos das vítimas até Belo Horizonte, onde passarão por exames antropológicos e de DNA para serem identificados. A polícia localizou documentos de ao menos uma vítima.

Investigações. Informações preliminares da Aeronáutica obtidas pelo Estado, mostram que o piloto não reportou nenhuma pane antes do acidente. Além de buscas no local, a Aeronáutica, através do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), está fazendo um levantamento das gravações do período do acidente para saber quando e qual foi a última conversa entre o piloto e a torre de comando.

Técnicos da Força Aérea Brasileira (FAB) ouvidos pela reportagem consideram as condições do acidente “estranhas” e “algo muito catastrófico”. No entanto, qualquer dado real só será fornecido com o decorrer da investigação, que não tem objetivo de apontar culpados, mas buscar os motivos do acidente para evitar novas tragédias pelos mesmos motivos.

Moradores. O jato caiu a cerca de dez km da sede da fazenda, onde estava Sérgio Junqueira Germano, 27 anos, filho da proprietária do terreno onde criam gado e plantam milho, soja, café e azeitonas. Ele acredita que o piloto pode ter tentado pousar na pista de 1.300 metros que existe na propriedade.

Moradores da região ficaram apavorados com o acidente. “Escutei o barulho e achei que era trovão”, disse o jardineiro Gonçalo de Almeida, 50. “Ouvimos um estrondo imenso e saímos correndo. Estava pegando fogo no pasto. Apagamos o que deu com ramos. Nunca vi uma coisa dessas. Ficou todo mundo muito assustado”, disse a dona de casa Laurinda Ferreira, 45, casada com um capataz da fazenda.

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