Desvalorização do real e alta das importações preocupa Fiesp

O diretor do Departamento de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, acredita que os aspectos positivos do aumento das importações sobre o câmbio devem ser avaliados com cuidado. O governo, sobretudo o ministro Luiz Fernando Furlan, afirmam que o incremento das compras externas resulta em uma redução na venda de dólar futuro, o que tende a desvalorizar o real. Mas o que preocupa os empresários é justamente a qualidade dessas importações. "Podemos pagar um preço caro, como o desemprego, se contarmos apenas com as compras para desvalorizar o real", diz o empresário. Ele explica que o aumento das compras de máquinas e equipamentos sem similar nacional, de insumos e matérias-primas deve ser aplaudido. O maquinário importado significa investimento em produção de modernização, enquanto as matérias primas e os insumos mais baratos diminuem os custos de produção. "O problema é se a melhora do câmbio para o exportador vier às custas de um aumento das importações de bens de consumo", afirmou, ressaltando que isso pode significar a substituição da produção local pela estrangeira. "É má importação", destacou. De acordo com o empresário, a percepção generalizada é a de que o câmbio ideal para devolver a competitividade correta dos produtos brasileiros é algo em torno de R$ 2,80 e R$ 2,70. "O câmbio no atual patamar provoca queda nos investimentos porque fragiliza as empresas", afirmou. Ainda assim, Giannetti disse estar convencido de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está de fato preocupado com a situação de câmbio valorizado e juros altos e seus efeitos sobre a economia do País. Mas não acredita que o ministro fará qualquer anúncio público de eventuais mudanças na política monetária. "Existe uma máxima no mercado de que ´câmbio não se anuncia, se pratica´", afirmou.

Agencia Estado,

12 Abril 2006 | 16h48

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