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Desvalorização do real pode elevar inflação deste ano

A desvalorização do real em relação ao dólar nas últimas semanas pode significar uma inflação mais alta em 2012. A Tendências Consultoria Integrada é uma das primeiras instituições do mercado a fazer as contas: se o dólar se estabilizar na faixa de R$ 1,90, o IPCA, índice oficial do País, ficará 0,34 ponto porcentual maior.

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h05

Esse cálculo é tecnicamente chamado de pass-through. Seu objetivo é estimar o efeito de desvalorizações cambiais sobre os preços. Uma das principais dificuldades para os economistas que fazem esse trabalho é a duração da desvalorização. O mercado cambial, como se sabe, é um dos mais voláteis. Uma moeda pode subir ou cair por semanas e reverter a tendência em seguida.

"Por isso, consideramos a taxa média de câmbio em um trimestre comparada com o trimestre anterior", diz Tiago Curado, analista da Tendências responsável pela conta. No fim de janeiro, ou seja, três meses atrás, a cotação do dólar estava ao redor de R$ 1,75. Na sexta-feira, a moeda americana valia R$ 1,87. É uma desvalorização do real de quase 6,5%.

Em geral, os modelos matemáticos consideram que, para cada 1% de queda da moeda brasileira, o IPCA fica 0,05 ponto porcentual mais alto. Daí o cálculo da Tendências indicar 0,34 ponto.

Hoje, a consultoria estima um IPCA de 5,5%. Mas Curado avisa que, em razão dos índices recentes mais baixos do que o esperado, a projeção deve ser em breve revista para a casa dos 5%. Se o real se mantiver na faixa atual, a previsão da Tendências para o IPCA do ano deve ficar entre 5,3% e 5,4% - acima do centro da meta de inflação, de 4,5%. No ano passado, o IPCA subiu 6,5%.

O problema é que, apesar da forte disposição do governo de desvalorizar o real, ainda não está claro para os especialistas se a tendência recente será mantida. "Ainda não calculei (o pass-through) porque é preciso ver se o real continuará a cair", disse o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

Pelo mesmo motivo, os analistas do Banco Fibra também não previram o efeito sobre o IPCA. Mas, em trabalho recente, calcularam que o pass-through, nas atuais condições das economias brasileira e internacional, seria igual ao da Tendências - 0,05 ponto a cada 1% de desvalorização do real.

Se há dúvidas sobre a manutenção da tendência no mercado cambial, o mesmo não pode ser dito em relação ao momento em que o governo tenta encarecer a moeda americana. "Diria que este é o melhor momento para fazer isso", disse Curado. "Em primeiro lugar, porque as commodities vêm caindo no mercado internacional, o que foge ao padrão dos últimos anos. Em segundo, porque a demanda interna está em um nível que traz alívio inflacionário."

Newton Rosa concorda, mas apenas no curto prazo. "A política atual do governo, de dólar mais forte e juro mais baixo, além das medidas protecionistas no comércio exterior, deve elevar a inflação lá na frente."

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