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Desvalorização rápida demais oferece riscos

Ontem, o dólar deu um novo salto em relação ao real, sendo cotado em R$ 1,88. Muitos economistas acreditam que logo a taxa cambial será de R$ 2,00 por dólar.

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h08

O que o governo (e os empresários) esperava parece finalmente estar acontecendo: o fim do real supervalorizado, que provocou a destruição de uma parte da indústria nacional e a redução drástica da exportação de produtos manufaturados - que, em 2008, representavam 46,8% das exportações e nos oito primeiros meses deste ano respondiam por apenas 36,1%.

Não se podem negar os inconvenientes do excesso de valorização da moeda, que levou o governo a adotar uma política protecionista. Mas também não se devem menosprezar os efeitos negativos da desvalorização.

O País não estava excessivamente endividado em moeda estrangeira, mas aproveitou-se da constante valorização do real para captar no exterior. A taxa cambial foi um convite a um maior endividamento externo. Agora, o risco cambial torna-se elevado e caberá aos agentes econômicos contar mais com a poupança interna, o que significa reduzir o consumo doméstico.

Aos exportadores de produtos manufaturados abre-se uma nova oportunidade. Mas nem sempre será fácil reabrir unidades de produção que se tornaram obsoletas, e será necessário realizar novos investimentos (sem a facilidade de recorrer à importação) para melhorar a produtividade e oferecer produtos com maior grau de inovação.

Mas o maior efeito da desvalorização cambial será a pressão inflacionária, pois os produtos importados têm hoje, na economia, um peso superior ao de anos atrás. Um aumento de cerca de 13% da taxa cambial, com a perspectiva de elevação ainda maior nas próximas semanas, exerce importante efeito sobre a oferta de produtos com componentes importados. E os preços são calculados pelo custo de reposição, não pelo custo atual.

Isso será sentido no final do ano - um período em que a demanda atinge seu ponto alto. Cabe ao Banco Central (BC) - que realizou sucessivas compras de dólares para conter a valorização do real (US$ 4,477 bilhões em agosto e US$ 6,637 bilhões em julho, por exemplo) - utilizar parte das suas reservas para impedir uma desvalorização excessivamente rápida da moeda nacional. Não é a desvalorização, em si, que é perigosa, mas sua extrema rapidez, que aumenta as incertezas e não permite fazer previsões. Nesse sentido, não se entende por que, em setembro, o BC ainda tenha comprado dólares.

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