Detentores de títulos e bancos estão entre os maiores credores

Juntas, OAS e Galvão devem R$ 6,6 bilhões a investidores que compraram bônus no exterior ou debêntures

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2015 | 03h00

As listas de credores das empresas da Lava Jato em recuperação judicial são encabeçadas pelos investidores em títulos e pelos bancos. Em valores absolutos, quem aplicou em bônus ou debêntures dessas empresas é que está mais preocupado neste momento. Juntas, OAS e Galvão devem R$ 6,6 bilhões a esses investidores. Já o Grupo Inepar, controlador da Iesa, tem no BNDESPar seu maior credor, com passivo de R$ 741 milhões, segundo o último relatório do administrador judicial.

As outras duas recuperações, da Alumini e Jaraguá Equipamentos, são menores em valores e os bancos estão no topo das listas. A Alumini tem um passivo de R$ 1 bilhão e só o Banco do Brasil tem R$ 225 milhões a receber. Na Jaraguá, o Bradesco é o maior credor, com R$ 182 milhões.

Tanto para bancos como para os detentores de títulos, que seguem regras de provisão, todo esse passivo já deve estar registrado como perda. A recuperação judicial abre assim um novo capítulo da renegociação.

No caso da OAS, a maior concentração do passivo está nos chamados “bondholders” – investidores estrangeiros que compram bônus emitidos pelas empresas no exterior. São R$ 4,8 bilhões, quase 70% da dívida total. É uma concentração bastante parecida com a que foi vista na OGX, empresa de petróleo do empresário Eike Batista que entrou em recuperação em 2013 devendo R$ 11 bilhões a bondholders.

O advogado Mark Kreidel, do escritório Levy & Salomão, diz que é cada vez mais comum ver estrangeiros nos processos de recuperação. Isso porque, a partir de 2009, quando o Brasil saiu quase ileso da crise mundial do ano anterior, virou moda aplicar em papéis brasileiros. Também os bancos estrangeiros emprestaram mais para as empresas nacionais.

A vantagem, segundo a advogada Renata Olivera, do Machado Meyer, é que esse investidor já está mais acostumado a negociar em processos de recuperação, pois tem experiência nos Estados Unidos. Estão mais dispostos a até mesmo colocar mais capital na empresa.

Já os bancos brasileiros só agora começam a ficar mais receptivos a renegociar dívidas, segundo o advogado Júlio Mandel, porque perceberam que a falência pode não ser uma boa opção. Os bancos têm a prerrogativa de ficar fora da recuperação judicial, negociando paralelamente seus créditos.

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