Deterioração econômica derruba setor de serviços

A novidade na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE relativa a abril não é mais uma queda, em termos reais, das receitas das empresas do setor, mas a intensidade do declínio: na comparação com abril de 2014, o recuo do faturamento do setor de serviços, descontada a inflação, foi de 6,1%, calcula a Consultoria Tendências. Tem pouco significado a alta nominal de 1,7%, na mesma base de comparação, ou de 4,3% nos últimos 12 meses, em relação aos 12 meses anteriores.

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2015 | 02h03

Também se destaca que a queda foi quase ininterrupta nos últimos 12 meses e que o aumento nominal da receita de 6% em 2014 deverá cair à metade em 2015, enquanto a inflação, de 6,4% em 2014, é estimada em 9% neste ano.

Os serviços têm um peso próximo de 70% no Produto Interno Bruto (PIB), mas dependem do comportamento da indústria, do comércio interno e exterior e da agricultura. Se caem o emprego e a renda das famílias, há menos demanda de serviços pessoais, alimentação fora do domicílio, artes e espetáculos, lavanderias ou cabeleireiros. Sem demanda, os produtores reduzem o transporte de mercadorias.

O reflexo da desaceleração econômica alcança, portanto, os serviços prestados às famílias (cujas receitas nominais cresceram apenas 4,3% nos últimos 12 meses), os serviços de informação e comunicação (só os audiovisuais, de edição e agências de notícias cederam 6,8% nominais em 12 meses).

Os serviços administrativos e complementares ainda cresceram, em termos reais, pois englobam atividades essenciais como as de limpeza e vigilância. Mas atividades intensivas em conhecimento (jurídicas, contábeis, gestão, engenharia e agências de publicidade) mostraram queda real.

O transporte aquaviário foi um dos únicos segmentos a apresentar receita real crescente (+14,6%, entre abril de 2014 e abril de 2015, e +11,7%, nos últimos 12 meses), o que se deveu à produção e ao escoamento de bens agropecuários para outras regiões do País ou para o exterior.

A pesquisa do IBGE não inclui, por exemplo, serviços financeiros e serviços públicos, o que poderia mostrar comportamento menos ruim. Mas permite demonstrar a situação delicada da área privada em geral, bem como a extensão da queda. Das 27 unidades da Federação analisadas, 14 apresentaram variação negativa da renda nominal - e, das 13 com variação positiva, só 2 registraram aumento real.

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