EFE
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Deterioração no mercado de trabalho ajudou a reduzir trabalho infantil

Segundo o instituto, com a crise no emprego, faltou trabalho para todas as faixas etárias, mas a mais penalizada foi a de adolescentes de 16 e 17 anos

Daniela Amorim, Roberta Pennafort e Vinicius Neder, Broadcast

25 Novembro 2016 | 10h01

RIO - A deterioração no mercado de trabalho trouxe ao menos uma boa notícia, a redução no trabalho infantil. Em 2015, o País tinha 2,7 milhões de crianças e adolescentes trabalhando, redução de 659 mil em relação ao ano anterior.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, com a crise no emprego, faltou trabalho para todas as faixas etárias, mas a mais penalizada foi a de adolescentes de 16 e 17 anos, sobretudo em áreas urbanas.

"A população ocupada caiu como um todo, o desemprego aumentou como um todo, e atingiu também essa população", disse Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad no IBGE. "Trabalho está faltando para todo mundo, então atinge a todos. A taxa de desocupação entre os jovens ainda é maior do que para as outras faixas etárias. Então eles estão tendo mais dificuldade para conseguir trabalho", acrescentou.

O levantamento mostra que 318 mil adolescentes de 16 e 17 anos deixaram de trabalhar. Outros 200 mil empregos foram perdidos entre jovens de 14 ou 15 anos. Na faixa de 10 a 13 anos, havia 151 mil crianças a menos trabalhando. A única faixa de idade com aumento foi de 5 a 9 anos: nove mil crianças a mais ocupadas.

Segundo Maria Lucia, essa faixa etária tem presença muito forte no trabalho familiar, não remunerado, ajudando integrantes da família, como na agricultura. "Essa população mais jovem, até 13 anos, trabalha muito para produção para o próprio consumo, sem remuneração", explicou a pesquisadora.

Outro efeito da piora generalizada no emprego foi a redução na desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Não houve melhora na condição feminina, mas sim deterioração na condição masculina. A renda média mensal dos homens ocupados foi de R$ 2.058, contra R$ 1.567 das mulheres. O resultado significa que as mulheres receberam, em média, 76,1% do rendimento dos homens. No ano anterior, elas recebiam 74,5% do salário deles. 

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