Detox digital é novidade para quem quer férias longe do wi-fi

Detox digital é novidade para quem quer férias longe do wi-fi

Fios de cobre nas paredes dos quartos garantem sossego livre de e-mails e mensagens de celular

B. R., Economist.com

21 de novembro de 2014 | 15h24

Aqueles que viajam anegócios nunca se divertem mais do que ao se queixar que, com os smartphones elaptops, eles agora estão sempre à disposição do trabalho. 

Não resta dúvida queas comunicações da modernidade podem ser tirânicas. Mas há também algo dedesonesto nesse lamento. Quantas vezes já estivemos num jantar com alguém queolha instintivamente para seu smartphone a cada cinco minutos? Isso não étirania, e sim vício. Pode chegar até o ponto de uma compulsão.

Sou tão culpado destepecado quanto os demais. Como tantos outros, conferir no celular se não hánovos e-mails é a última coisa que faço antes de dormir, e também a primeiracoisa que faço ao acordar. 

Os únicos momentos nos quais insisto em ficarisolado do escritório são as férias. Nessa época, minha lei é nunca verificarcomo anda o trabalho, sabendo que se algo absolutamente urgente surgir, minhachefe pode me telefonar. 

Apesar de acreditar na minha própriaindispensabilidade, ela ainda não precisou recorrer a isso. Mas a razão de euter criado a lei em primeiro lugar é o fato de a compulsão de checar os e-mailsser forte demais.

Tudo isso indica que nãopodemos confiar em nós mesmos; e não é o escritório que exige nossa constantedisponibilidade, e sim nossa própria fraqueza. 

O que torna interessante a ideiaexplorada atualmente na Villa Stephanie, um spa de alto padrão em Baden-Baden,Alemanha. Os quartos deste retiro têm fios de cobre nas paredes, garantindo aoshóspedes que nenhum sinal de wi-fi seja capaz de alcançá-los, seja do hóspede,do hotel ou de um vizinho de quarto. 

O retiro explica que isso “vai permitirque os hóspedes façam um detox digital sem a tentação de encontrar um sinal porperto”.

É uma solução modernapara um problema moderno. Levando-se em consideração a fragilidade da nossaforça de vontade, a ideia me parece ótima. 

O que me preocupa é pensar que, comoum junkie passando pela fase de abstinência, a ansiedade de não encontrar umsinal wi-fi será mais estressante do que romper o elo com o trabalho.

© 2014 The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados.

Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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