Daniel Teixeira/Estadão
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Deu para pagar o aluguel, mas cortei gastos, diz manicure sobre o auxílio

Luana de Santana atendia 300 clientes no mês, hoje diz que não chegam a 15; ela teme o que pode acontecer após a última parcela do benefício emergencial

Luísa Laval, especial para o 'Estadão', O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 20h40

Mesmo com os programas federais para enfrentamento à crise, boa parte dos trabalhadores ainda sofre com as perdas de renda e com as limitações impostas pelo isolamento social. Para muitos, o mais difícil é lidar com a incerteza com relação ao futuro.

A manicure autônoma Luana de Santana, de 27 anos, atendia cerca de 300 clientes por mês, e diz que hoje mal chegam a 15. Beneficiária do Bolsa Família, ela passou a receber R$ 1,2 mil por mês, mas mesmo assim diz que não é o suficiente para arcar com todos os custos. “Ajudou pouco, mas deu para pagar pelo menos o aluguel. Tive de cortar várias coisas, como alguns itens de alimentação, internet e transporte escolar para as crianças até o fim do ano. Mesmo que a escola volte, não vou levar os meus dois filhos.”

Antes, Luana fazia atendimento tanto na sua casa quanto na de clientes, mas agora as recebe no quintal, para evitar que fiquem em contato com os filhos, de 4 e 10 anos. Se chover, não consegue trabalhar. Mesmo baixando o preço do serviço, ela está pessimista com a retomada da clientela até o fim do ano. “Não adianta retomar neste ano, porque está todo mundo endividado ou com medo, e não vou voltar a ter a mesma receita que tinha antes. Eu tinha pacotes semanais e quinzenais, e agora não tenho praticamente nada fixo. Já estou recebendo a quarta parcela do auxílio, e não sei como vai ser depois que terminar”, diz.

A recepcionista do centro cultural de um banco, Evelyn Souza, de 24 anos, conta que estava na expectativa de retornar ao trabalho nesta sexta-feira, após um mês de férias coletivas e dois de suspensão de contrato. Porém, nesta semana, recebeu o comunicado de que o trabalho continuaria suspenso por mais dois meses.

“É muito ruim, porque você fica em casa, sem perspectiva. Eu planejava buscar outros empregos e mudar de rumo, mas agora estou travada. Meu namorado está desempregado desde o início o ano, recebendo auxílio emergencial, e não consegue achar trabalho”, afirma.

Para lidar com o confinamento, Evelyn passou a fazer transmissões diárias de partidas de jogos eletrônicos, uma forma de se distrair e conversar com outras pessoas. “Mesmo que o meu salário não tenha sido fortemente afetado, pois já trabalhava há um tempo na empresa, é difícil lidar com esses problemas. Fazer transmissões se tornou minha válvula de escape para fugir do isolamento”, conta a recepcionista.

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